Joguei

Joguei aquele texto pra lá. Que se dane! Não sei bem se quero resultado com ele, ou se quero apenas desengasgar toda a fobia de ser menos do que sou. Eterno embate entre os pensamentos. Normal, você dirá. Mas a normalidade é falha, é quase nula. Não ter especialidade em nada te faz sentir menor, menos, pequeno, desaparecido nesse mundo. O que não falar? O que falar? Eternas perguntas sem respostas, que só aparecem no momento em que o texto sair. A realidade? Não sei se o faço para mim, para ninguém ou para os outros. Apenas jogo o texto no ar e dane-se. Tenho falado com as paredes há tantos anos que não faz mais diferença. E mesmo que tenha cem curtidas, mil comentário, que real efeito causará na minha vida ou na de vocês? Largo o lápis, a caneta, o teclado do computador e solto ele no ar. Ele, o texto, o famigerado texto, o desejado, aquele que requer tanta inspiração. Ok, ele me transforma, eu sei, eu saio transformada desse parto, leve, eu diria. Mas qual o sentido disso tudo? Aparecer de alguma forma no mundo? Comunicar alguma coisa a alguém? Ou simplesmente sentar e esperar a crítica acontecer? Não sei. Sei apenas que sigo escrevendo, que tenho tanto mais para falar, tanta coisa torta, tanta coisa duvidosa, tanta coisa minha.

Like what you read? Give Aline Netto a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.