Término

Outro dia, conversando com um amigo, ele disse que relacionamentos amorosos tendem a ter prazo de validade, afirmativa que me fez ficar pensativa sobre tudo que acredito a respeito do amor. Sou libriana, daquelas que acredita que amor é para sempre, pelo menos aquele amor com A maiúsculo, e me dá uma dor no coração achar que todo e qualquer relacionamento amoroso tem prazo para acabar.

Eis que na segunda-feira Fátima e William divulgaram via Twitter (modernosos) que após 26 anos (uau!) de casados estão dando adeus ao colchão de casal, à união de escovas de dentes na pia do banheiro, ao pé gelado do outro encontrando a perna quentinha, à conchinha. Daí, dá um medinho imenso (nesse paradoxo mesmo) de tudo aquilo de “para sempre” ser mesmo como Renato Russo teimou em falar: “sempre acaba”.

Não que a pessoa deva ficar grudada em outra pro resto da vida se isso a está fazendo mal, longe de mim! Se faz mal, sai correndo feito Pokemon que escapou da bolinha, meu amor. Separar também é uma declaração de amor, ao outro e a si mesmo. Provavelmente deu o que tinha que dar para os lindos. E não é que não deu certo. Deu! Deu certo por 26 anos e 3 filhos.

Mas é que a gente é de humanas e tem aquela necessidadezinha de ter um casal modelo para acompanhar ou apenas para quando a vida estiver ruindo, pensar que no mundo nós temos Fátima e Bonner, lá no imaginário da perfeição, criando trigêmeos. Egoísmo puro do coração brasileiro, eu sei.

Ok, minha gente, eu sei também que a vida real é bem diferente de tantas séries, filmes, novelas etc. que existem por aí, que o mundo da ilusão romântica é muito mais meloso que o dia a dia real, que a gente casa querendo que dure para sempre e que tem o dia a dia entre o sim e o infinito. Eu sei. Porém, tendo a querer e acreditar que é possível. E me deixa que esse é meu sentimento quentinho do coração!

O fato é que enquanto Fátima e Bonner se separam, a gente fica meio órfão de casais reais trabalhados no amor para sempre. E agora estou aqui pensando em Sandra Annenberg e Ernesto Paglia, Glória e Tarcísio, Nicete e Paulo (RIP), afinal a gente precisa de um pouquinho de esperança nessa vida de modeuso.

Se existe amor em SP? No RJ? No Brasil? Existe. Ele pode não durar para sempre, ele pode durar uma vida inteira (o que são 26 anos, né non?), ele pode durar 5 minutos, mas é amor e a estamos querendo, porque somos desses. Logo, só desejo pro ex-casal mais amor, não só romântico, mas amor a si mesmo, aos amigos, aos familiares. E vamos todos nos amar muito, pois é para isso que a gente veio parar aqui.

Texto publicado originalmente na Devaneios News em 31/08/2016.

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