Corpo

É estranho dizer que nem sempre este corpo me faz bem. Soa até mesmo ingrato porque ele chega a se adequar mais aos padrões, do que um corpo gordo. Mas isso não significa que este corpo magro esteja livre de possuir suas limitações.

Todo corpo é limitado. Limitado a imagem que enxergam e a forma como muitas vezes não conseguimos nos ver. Não porque exista algo de errado com ele, em nenhuma parte. Mas ninguém nos ensina a apreciar nossos corpos. Uma pessoa que o faz, é sempre vista como fútil, exibicionista. Desnudar-se para si ou para apreciação dos outros é obsceno. Qualquer intenção é inserida nessa atitude para nos desviar do fato de que um corpo é apenas um corpo.

Dentro dessas limitações eu reconheço que preciso me conectar com outros corpos. Por isso andar descalça é um ato que me mantém integrada ao ambiente. A síntese de tudo que se limita para fora de mim. Porque aqui dentro já está feito. Está enclausurado.

Desnudar a alma é preciso mas ela já é mais livre do que a matéria jamais será. É fluída e tem um propósito. Por que nosso corpo não pode ter um propósito, ao invés de precisarmos sempre querer que ele mude, de uma forma não natural?

Busque todas as oportunidades que tiver, de criar novas relações com você. Não vou falar de aceitação como se fosse um impulso de auto repulsa criado voluntáriamente e fácil de dissolver. Mas proponho que você tente suas reconexões, porque é apenas através desse corpo que você experienciará essa vida.

Porque no final das contas, se engana quem pensa possuir controle absoluto sobre seu corpo e sua mente.

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