Decidi me expor

Talvez, esse texto comece um pouco confuso para você, porque eu estou confusa. O problema não é você, sou eu. O objetivo de começar a publicar as minhas escritas é justamente para clarear dentro de mim tudo o que está acontecendo na expansão da minha consciência. Nem sei ao certo se o que eu vou escrever será de interesse de alguém, mas compartilho mesmo assim. Talvez, eu não tenha nada para lhe oferecer, ou eu tenha e muito. Mesmo sem saber ao certo onde essas palavras me levarão, eu vou escrever. Sei que no final de cada texto eu terei revelado algo muito importante que estava confuso dentro de mim. Pois o comprometimento que eu estou fazendo é comigo mesma.

Me comprometo a me libertar. O objetivo maior desse meu firmamento é liberar todo esse mar que sacoleja dentro de mim. Estou me afogando e decidi me salvar.

Eu já me expresso de muitas formas para aliviar essa minha profundidade, mas preciso me desprender do maior sentimento que me reprime: o medo da rejeição. Hoje, agora, firmo esse comprometimento comigo mesma. Jogarei meus pensamentos ao vento. O Universo, melhor do que eu, saberá o que fazer com eles. Ai, que dor escrever isso e pensar que vou publicar, sinto vergonha. O medo tenta me bloquear e fazer com que eu desista.

"Quem você pensa que é? Uma Escritora? Que ridículo, Aline! Você não entende nada de gramática, ortografia e todas as outras regras gramaticais que você nem sabe o nome. Quem você pensa que é? "

Há alguns anos fiz um curso de produção textual na universidade federal do Rio Grande do Sul. Trabalhamos diversos estilos de escrita e para cada semana era definido um e desenvolvíamos o texto abordando um tema em especial. Foram meses difíceis. Para cumprir cada tarefa semanal eu me revirava por dentro para conseguir.

Mora dentro de mim uma pessoa muito profunda, cheia de pensamentos, sentimentos e exigências. Eu não conseguia lidar de forma amorosa com essa pessoa, por isso sofria tanto.

Era muito difícil para mim materializar toda essa profundidade em frases claras e objetivas. Tenho refletido muito sobre isso, sobre esse meu lado intenso que pouco consigo expressar. Esse é um dos meus maiores aprendizados atuais, mas esse é um assunto que vou revelando mais ao longo das publicações. Agora, voltamos para a minha experiência nas aulas de produção textual. Eu sofria durante toda a semana, era um processo doído para mim. Escrevia um pouco cada dia, apagava, recomeçava… chorava, me cobrava, pensava em desistir… A minha cabeça doía muito com todo esse processo, era difícil para mim entender todos os meus pensamentos. No final, o “filho” nascia e eu cumpria a missão de entregar o texto. Não lembro ao certo quantos meses foram e nem quantos textos eu escrevi. Mas me lembro claramente quando sentei na frente do professor para ouvir a sua avaliação final sobre mim. Não vou recordar precisamente as palavras ditas por ele, mas a ideia geral foi essa:

“Os seus textos sempre me pareceram vir prontos da sua mente. Eles têm muita essência. Você deveria escrever mais e soltá-los para o mundo. É por isso que hoje finalizo o semestre contigo te dando um A de nota final.”

Surpresa total para mim. Ele achava que eu valia um A! Ele acreditava que meus textos nasciam prontos de dentro de mim! E para completar, ele me aconselhou a escrever mais e compartilhar com o mundo. Oi???

Deixa eu explicar para você onde tudo começou para eu chegar até aqui refletindo tanto sobre a profundidade do meu ser. Eu estava em um encontro de empreendedorismo da coach Débora Paz, tendo a oportunidade de me conectar com diferentes mentes e corações, encontros sempre muito enriquecedores. Durante uma reflexão do grupo, que eu nem me lembro bem qual foi o assunto, depois de todos falarem muito, eu expus a minha dificuldade sobre o tema debatido. Todo mundo começou a dar dicas e sugestões para o meu caso, mas nada fazia sentido, eu só pensava: “ninguém entendeu nada do que eu disse” Mas por mais que eu complementasse com alguma informação, todos continuavam sem entender. Depois de algum tempo, alguém em especial começou a falar e tudo pareceu mais claro. Ela entendeu a minha dor, viu que as outras pessoas não estavam entendendo e me deu uma possibilidade de solução. Ela falou algo assim:

“Talvez as pessoas não estejam preparadas para a sua profundidade. Quem sabe você tenta ser um pouco rasa”

As palavras dela bateram no meu peito de forma intensa, proporcionaram um alívio muito grande, mas ao mesmo tempo uma frustração gigante. Alívio em saber que fazendo isso, sendo rasa, as pessoas iriam me entender melhor. Frustração em pensar que eu não iria mais poder expressar a verdade mais profunda do meu ser. Viver no raso não me basta, eu preciso de mais. Preciso fazer conexões profundas para me sentir viva. Porém, pensando desse ponto de vista que algumas pessoas não estão prontas para a minha profundidade, porque eu vou entregar isso a elas? Pois a relação mais profunda que eu posso ter com essa pessoa é de fato a rasa.

Dar um presente para alguém que não precisa ou que não deseja ele é decretar o desperdício de energia, não faz sentido algum.

Mas refletindo um pouco mais, isso também vai além do que a pessoa está pronta ou não para a minha profundidade. Tem relações que não existe disponibilidade de compromisso com isso. Um exemplo tosco: como eu vou ser profunda pedindo pão na padaria? Existem momentos certos para ser rasa e momentos certos para ser profunda. Como também existem pessoas que conseguem se conectar com a minha profundidade e outras somente com o meu raso. E mais ainda, quando eu consigo me conectar com alguma pessoa somente com a minha forma rasa, pode ser que eu já esteja conseguindo alcançar a profundidade dela. E que nem sempre quando eu sou entendida na minha profundidade, a outra pessoa também está nesse mesmo nível, pode ser que ela esteja sendo rasa. Querida Cassandra, eu não faço a menor ideia se você tem noção do quanto você foi canal para desencadear essa reflexão tão necessária dentro de mim.

Chegar a essas conclusões tão esclarecedoras na minha vida, mudaram a minha forma de me relacionar com as outras pessoas. Minhas relações se tornaram mais tranquilas depois que eu consegui ver essa verdade.

Gratidão, Cassandra Czerwinski!

Depois dessa minha experiência nesse encontro de empreendedorismo, decidi começar a escrever frequentemente para entender mais sobre a profundidade dos meus pensamentos, sentimentos e emoções. Confesso que demorou uns bons meses até eu conseguir tomar coragem para começar a publicá-los. Esse texto aqui é uma reedição. Sei que eu não domino as regras gramaticais, ortográficas e tudo mais. Muitas vezes, erro o lugar da vírgula, esqueço de fazer concordâncias verbais, me passo no plural… Mas lembrando da minha linda experiência nas aulas de produção textual, a força motivacional recebida pelo professor me fazem ter a segurança de que o que vale é a essência da escrita. Gratidão querido professor Antônio Trindade, você sabe o quando lhe admiro e prezo a nossa amizade. Sei que não posso me limitar por não dominar tudo. Quem sabe tudo? Somente o ser supremo que criou tudo, o Incriado.

O que desejo aqui é externalizar o que existe dentro de mim, trazer a luz da verdade para as minhas dúvidas e aflições. Talvez, você sinta alguma semelhança em sua vida e o meu compartilhar lhe ajude em algo, ou talvez não.

A conclusão até aqui é que eu estou aprendendo a me expressar de forma clara e objetiva, independente do meu lado profundo ou raso. Nas aulas de produção textual eu soube me expressar muito bem através dos textos, mas na minha experiência no grupo de empreendedorismo eu não soube fazer isso com a ferramenta da fala. Percebendo isso, decidi escrever. Me entendo melhor materializando os meus pensamentos de forma escrita. Isso clareia os meus pensamentos, libera a minha mente e eu me sinto mais leve. Puxa, agora mesmo eu me lembrei de um relacionamento que tive há muitos anos. Eu só conseguia me expressar claramente quando decidia fazer a tal conhecida DR por e-mail. Foi estranho no começo, mas no final a pessoa que eu me relacionava entendeu e deu o braço a torcer dizendo que eu conseguia “ganhar” as discussões somente dessa forma, porque pessoalmente era um desastre completo. Me pergunto agora: porque eu não continuei usando a ferramenta da escrita para me expressar melhor com as pessoas e, principalmente, comigo mesma? De lá para cá, eu posso ter melhorado muito a minha comunicação verbal, mas ainda tenho muitas lacunas para serem trabalhadas.

Esse canal será para usar a ferramenta da escrita como ferramenta de autoconhecimento. E compartilhando isso com você coloco em prática a minha filosofia de vida: Na união das nossas experiências, a nossa força é invencível!

Boas vindas a esse espaço de muita profundidade do meu Ser!

Aline Cruz Passuello

Written by

Arquiteta terapeuta, escrevendo para a expansão da autoconsciência. >>> alinepassuello.com

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