Limpando as minhas águas, as minhas emoções

Uma minúscula ilha seca, areia de sertão, seca mesmo. Somente uma árvore no centro, também seca, mas grande e parecendo muito antiga. Em volta a água era turva em vermelho escuro.

— Eu estou aqui? Não pode ser! Vou ficar próxima a árvore, assim fico longe da água. Mas aqui nesse lugar não tem mais nada, até a árvore está seca, parece morta por dentro. Esse lugar pede para ser abandonado. Mas como? E para onde?

Vejo ao fundo uma ilha grande, bem grande, mal vejo o contorno dela. Linda, verde, cheia de beleza e colorido. Olho mais um pouco a volta e vejo mais ilhas, uma delas me chama atenção, prédios altos e uma fumaça preta deixando tudo cheio de névoa, sinto repulsa no meu coração. Eu quero aquela ilha verde, cheia de beleza e colorido. Mas como chegar lá?

Uma voz surge e diz: — Passando pela água.

EU: — Sério? Como? Nessa água escura, que parece sangue? Não sei se consigo. Eu tenho que mergulhar nela?

Tentei colocar o dedinho do pé na água, não consegui. Tentei colocar o dedinho da mão, menos ainda. Nossa, não consigo me imaginar mergulhando aí. Não é possível que é dessa forma que eu vou conseguir sair daqui. Não é possível!

Novamente a voz: — Quem disse que é assim? Quem disse que não pode ser mais simples. Porque você insiste tanto em rejeitar esse barco.

O barco surge atrás de mim me empurrando com ele para dentro da água. Cai dentro do barco e lá fui. Me ajeitei, sentei olhando para trás e vi a morte empurrando ele, e dela vinha uma luz branca brilhante. O barco deslisou na água no primeiro momento. Continuei ali sentada de frente para a minúscula ilha que eu estava deixando para trás vendo o rastro do movimento do barco na água. Até que começou um sacolejar.

A voz voltou a falar: — Sim, essa água turva vai tentar lhe derrubar, segura firme e aguenta, você consegue. Não dê atenção para ela. Segure-se nas laterais do barco e tenha foco na sua força e determinação em se manter parada imóvel dentro desse barco que está lhe levando para a ilha que você escolheu.

Assim, fiquei. Não sei quanto tempo passou, até que um buraco no fundo do barco apareceu. De imediato lancei uma magia com as minhas mãos e tapei o barco com uma luz azul brilhante. Agi instintivamente, mas depois pensei que não fosse funcionar.

Mas aí veio a voz e me alertou: — Claro que vai funcionar, já está funcionando. A magia já existe em você, você acreditando ou não.

Fiquei ali vendo os peixes passarem embaixo do buraco, a luz azul não era tão forte a ponto de cegar, dava para ver. Relaxei, novamente perdi a noção do tempo, até que o barco foi invadido pela água. Mas não era a água que eu estava atravessando, sei lá de onde vinda essa água. Parecia vir de cima, como se fosse chuva, mas não era. Achei muito estranho no começo, quis rejeitá-la por medo, mas percebi que ela era translúcida, tão limpa que parecia brilhar como luz. Recebi uma caneca ou jarra, não identifiquei ao certo, só percebi que era para eu continuar me banhando com aquela água que havia ficado dentro do barco.

Me questionei: — Mas como pode o barco não afundar?

A voz respondeu: — Existe uma diferença de densidade entre elas que fazem com que não se toquem.

Confiei e fiquei ali me banhando. Foi um banho tão reparador que eu me senti feliz, alegre e viva novamente. Senti meu corpo, minha beleza e meu prazer. Foi aí que percebi que a água sob o barco também estava se tornando translúcida.

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A meditação acabou e eu fiquei querendo me ver chegando na nova ilha, cheia de natureza colorida. Mas agora percebo que isso não aconteceu não porque a meditação acabou, mas porque eu ainda estou limpando as minhas águas, as minhas emoções. Estou no caminho. Agradeço.

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