Tenho brincado muito ultimamente que o mantra da maternidade real é o “vai passar”. Digo brincando pois nunca havia pesquisado ou lido sobre o ensinamento budista baseado na parábola do “isso também vai passar”. Hoje decidi ler, e me surpreendi com sua simplicidade e verdade.

A parábola, de forma bastante resumida, conta a história de um rei que, ao se perceber confuso e com necessidade de encontrar o equilíbrio, pede a um sábio de sua aldeia que lhe dê algo para utilizar em momentos em que não encontrasse mais alternativas ou soluções. Sendo assim, ele lhe dá um anel, com um pequeno papiro com uma mensagem escondida abaixo da pedra e que só poderia ser aberto no momento em que ele sentisse que não havia mais alternativa. Um dia, após ter seu reino tomado pelo inimigo, em fuga, sozinho, com fome e com o caminho para seguir em frente ou retornar bloqueados, abriu a mensagem que dizia “isso também vai passar”. Ao lê-la foi tomado por uma paz de espirito que o permitiu descansar e, ao fazê-lo notou que os inimigos haviam seguido em frente e que ele poderia voltar ao castelo. Chegando lá, a cidade havia sido deixada e ele ainda era o rei. Sua chegada foi muito comemorada e ele sentiu uma profunda alegria em retornar e ter seu reinado de volta. Diante disso, lembrou-se dos ensinamentos do sábio e abriu novamente o anel para ler a mensagem: “isso também vai passar”.

O que mais tem me desafiado nessa jornada de mãe tempo integral é conseguir manter o meu equilíbrio emocional. Tá, tudo bem, são apenas crianças e eu sou o adulto na relação, mas, em momentos de fragilidade, com privação de sono e cansaço, acabamos cedendo as birras, manhas e tendo atitudes dignas de uma criança de 6 anos. Quando me vejo “brigando”com o Bernardo é isso que sinto, que voltei a ser criança e o tempo todo tenho que ficar respirando e tentando encontrar formas maduras e conscientes de responder aos desafios diários que enfrento: ciúme do pequeno, mordidas, gritos, desobediência, retrocessos como mais xixi na cama. Enfim, a gama é imensa.

É nesse momento que tenho saudade do trabalho, de desafios mais intelectuais e menos pedagógicos, mais mão na massa e menos psicológicos. Alguns podem dizer que em cargos de liderança também há esse desafio. Claro que existe, mas a inteligência emocional aplicada a gestão de equipes, no meu ponto de vista, se torna mais fácil por alguns motivos: não há vinculo, amor, afeto,e principalmente, não há a carga emocional e social imposta as mães sobre a educação e desempenho dos filhos.

Com isso, me vejo aqui, na internet, tentando reconstruir minha forma de lidar com meus filhos, minha forma de maternar, tentando aprender a lidar com sentimentos novos e desconstruindo pré-conceitos, pois sendo bastante sincera, nunca achei que seria tão difícil a profissão “mãe”! Essa, tão subestimada e esquecida, encarada como mera obrigação, é, na verdade o maior desafio que já me propus encarar.

E é aí que vem o mantra, pois, na montanha russa da maternidade e dos hormônios, temos altos e baixos em alto volume e frequência diária, ou seja, momentos de depressão em que não enxergamos saída e momentos de felicidade extrema em quem nossos corações saltitam e explodem de tanto amor. O que nos faz precisar lembrar o tempo todo: “isso também vai passar”

E, dessa impermanência que a vida nos impõe, tiramos sabedoria, das dificuldades do dia-a-dia, tiramos maturidade. Da certeza que tudo um dia passa, sejam as manhas, os sorrisos banguelas ou pezinhos de bisnaguinhas, tiramos o equilíbrio e a leveza.

Sendo assim, só espero sabedoria para encarar com menos intensidade a tristeza, para reconhecer o jubilo das pequenas alegrias, para ser capaz de enxergar a beleza nesse momento e, principalmente, de encontrar o equilíbrio necessário para aproveitar a oportunidade que a vida me deu de ter esses dias com meus pequenos, pois, a unica certeza é que “isso também vai passar”.

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