Sem definição

Sobre a cama, o corpo está deitado. A respiração calma, leve, como o sopro do vento. Os olhos fechados, sem pressão, estaria sonhando acordado? De novo pela manhã, levantou e deslizou, uma pena no café e um suspiro silencioso. Fez, fez tudo que as horas permitiam, e o que deixou, à anos, desejar realizar. E voltou, como sempre, ao final do dia, ou começo? Voltou para a janela e viu, novamente o por do sol, tal como amanhecer. As cores se misturavam como uma bela pintura, se pudesse, mais de um quadro por dia seria pouco para a vista. As cores não são únicas, a luz e a sombra, uma fileira que dobre esquinas, forma caminhos, de paisagem, feitiços e brilhos. Tão simples, começou e acabou, rápido assim, os segundos se transformaram em horas e os olhos pediam descanso.
Agora é nítido. O corpo ainda estava sobre o cobertor fino, sem um toque ou movimento. O dia passou, a noite surgira, as estrelas vieram e o sol partiu, e nada foi percebido por aquele que continuou estático. Mais ou menos, mais e menos, mas a mais ou a menos? Poderiam dar vida à outras telas, rústicas e misteriosas, tão sombrias quanto o negro que absorvia o inesperado. A venda pendia e soltava lentamente pela lateral do rosto, fina e sólida, única. O peito começou a subir e descer mais rapidamente, como o solo de uma música agitada, o clímax da história, a ansiedade pelo que pode acontecer. Dessa forma, o tempo sempre abraça quem menos espera, chegou ao desfecho, as últimas notas e melodias, os olhos piscam pela milésima vez, sem ao menos se mexer. Tudo volta a ser uma pausa, o silêncio entre as palavras, a tinta ou as notas musicais, uma imagem ou um enigma. No sonho ou pesadelo, da pessoa que continua deitada, sobre a cama, sem saber o passado, presente e futuro.
