Hoje a cachorra da minha vizinha estava na esquina da rua de casa, algo simples de se ver em um dia qualquer do cotidiano, entretanto, minha vizinha se mudou e não posso mais chamá-la de vizinha com a mesma lógica de anteriormente, ainda mais pela quantidade de quarteirões de agora.
A presença da cachorra - chamada Babalu - me surpreendeu bastante, visto a distância. Mas a real pergunta que me veio a cabeça assim que a vi foi:
"Por quê de tão longe?"
Imaginei diversos aspectos que a teriam trazido até ali.
Saudade.
Falta de costume.
Confusão.
E comodismo, afinal, quem muito se acomoda sofre um pouco ao sofrer mudanças.
A cachorra veio em minha direção - depois de umas três assoviadas - muito simpática e educada, assim que se aproximou, sem perder tempo deu um pulo com as patas dianteiras em direção das minhas pernas.
Foi neste momento que ficou bem explícito para mim.
Não era comodismo, nem saudade, falta de costume ou confusão. Era um "Oi vizinho!" Bem simples e comum como se nada tivesse mudado.
Ela, com quatro patas, manchas pretas e brancas e um olhar educado e sincero.
Havia andado alguns metros - talvez kilometro - em direção a sua antiga casa, não por confusão, apenas por sabedoria.
Havia estado ali e aproveitado como se nada tivesse mudado, como se ali ainda fosse seu lar e todos a sua volta seus amigos, o que em fato é verdade, ela pode voltar a passear nessa rua daqui a 10 meses vinda do Japão.
Ainda vou olhar e reconhecê-lá como minha vizinha e amiga, tendo essa primeira impressão de sua antiga casa como referência.
Quantas pessoas/amigos deixamos de visitar por distância?
Quantas coisas boas perdemos, apenas por mudarmos e torná-las antigas?
Uma coisa é certa.
Algumas medidas de asfalto não retiram as coisas boas da vida.

-Alison Jonatan Vasconcelos.

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