Divagação

Temos vagado demais por tantos fantasmas. Ou realidades tão plausíveis que se fazem presentes ao pé da cama, degraus insones para pesadelos constantes ou devaneios já desmontados. Noites corrompidas nas quais vemos trens apressados, cachorros que esquecem seus uivos, amantes que deixam de gemer ou algo similar.

Tememos pelos próximos beijos, talvez impressionados ou impressionantes demais de tão tortuosos que são em comparação com o que chamamos de tangível de nosso tempo objetivo. E, no entanto, o tempo se desmancha rápido demais para que nossas mãos o alcance e reconstrua algo o mais ligeiro possível para nós mesmos nos recompormos frente a tanta coisa já acontecida.

Espantamo-nos com nossa teimosia e os sonhos que vão roçando nossas mentes e delirando noite afora com bebedeiras e abraços enquanto pensamos nas desagregações de todos os mal acontecidos que nos amputaram algo em algum momento. E ficamos desnorteados e suspirosos, ausentes e impermanentes quanto à vida que levamos e a vemos desmanchada pelos chãos de nossos quartos até que principiamos em um gesto desajeitado o recolhimento de nossas mudanças.

O quanto permaneceremos longe e quietos? Vá saber o tamanho das distâncias e muros levantados enquanto ficaremos zonzos e presos às nossas labirintites existenciais.

Assinaladas por breves pontos, corações de ceras e todas as outras besteiras que balouçam frente a nossos olhos enquanto pensamos uns nos outros.

E não largamos.

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