sete dias

Álisson Da Hora
Sep 5, 2018 · 1 min read

as águas engolem os espíritos que por cima dela boiam
boiam como formigas enregeladas e sombrias
fitando os caminhos do céu como quem tenta sobressaltar
o inverso

os olhos são cheios de humores
vidros são cheios de olhos repletos de humores
que transbordam abraçando ao longe as formigas que descem
fios d’água e sonos correntes que atravessam os chãos
desenhando espectros nos degraus que ninguém se atreve
a descer ou subir como espíritos que arranham o firmamento
e firmam as mãos mordidas enfiadas na terra
com seus pulsos aquosos que descompassam
o universo

os passos são parentes dos rumores
reflexos dos pisões e da pulsação — a anemia que tritura o sangue
os brancos dos olhos, a brancura do dia esquecidas pelas formigas
em sua jornada meio fio abaixo — a rua e a estrada: perdição
espíritos que passeiam ao largo, o mar derramando o espaço
roendo calçamentos, largando pulsações e braços
nos saltos, na corda bamba
a mordida desmedida pela raiva
o averso
o corpo que cai na salvaguarda das águas

Álisson Da Hora

Written by

Professor, poeta e crítico literário liso