Reviro a bolota dos olhos, então o primeiro ato começa:

  • Tem uma pessoa parada bem na porta do recinto, ao passar foi impossível não notar. Dando goles n’uma selvagem, suponho, enquanto tragava pesadamente um baseado. Quase senti a brisa pelo meu próprio corpo, de tão forte que aquele trago foi. Forte como as mãos que o sustentavam, porque eu chequei. Danço e danço e aquele corpo ainda está lá, no mesmo ritual do começo, atrapalhando os passantes e esfumaçando todo o lugar. Poderia ficar quieta, longe e distante, mas aí não seria eu. Cheguei perto e antes de falar qualquer palavra vi aquela mão forte me estendendo o baseado, trago quase tão pesadamente quanto e pergunto, sorrateira e aliviando a entrada: quer sentar? Levo o toco mais sutil do universo, mas sigo dançando, balançando o corpo, tentando tirar toda a tristeza e angústia, todo o medo e exaustão, quase ninguém percebe, exceto aquela figura que agora está coberta de uma nuvem esfumaçada. Nos reconhecemos, eu sei. Deve ter algum nome pra isso: quando você encontra alguém da sua espécie. Sabemos de longe que já não estamos sozinhos. Cansada de dançar, sentei n’uma mesa comendo uma porção de azeitonas tipicamente ruins. De repente: fumaça ao redor, subindo pelos pés, já quase alcançando a cintura, deixando todo o redor meio embaçado, uma espécie de cortina comum para qualquer um que reconhece o termo “sauninha” e não associa a cheiro de eucalipto.
  • E sentia toda a lomba pelo corpo enquanto assistia sorrindo a cadeira em frente a sua ser ocupada .

Finalmente.

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