“Sabe o que é?”, ela diz depois de três tragos e me passa, “não sei muito bem como agir, isso me atrapalha tanto, principalmente porque a coisa certa a fazer — em vários sentidos: sociais, morais e etc — quase sempre vai na via contrária do que quero. Entende? É sempre o oposto”, respira fundo e continua, encarando a cigarrilha ilegal na minha mão, “mas isso não significa, de forma alguma, que sou descontrolada e só faço o que quero ou o pior: que deixo de fazer o que tenho vontade... mas que tal passar a bola, Romário?”

e passei, sem perguntar nada, deixando ela dizer o que queria, morrendo de curiosidade e sustentando uma cara vazia, falsa e fria. por sorte ou azar, porque depois disso me apaixonei, ela finalizou (e por vontade própria, tem algo mais lindo?): “acho que vivo, como a maioria das pessoas, nessa espécie de limbo. e quando eu erro, sabe, não tem problema. pode ser triste até, mas definitivo quase nunca. essas pequenas escolhas, ou até as grandes, não são permanentes. nada é. tudo muda, varia, vai embora e depois volta… tô viajando, né? mas valeu por esses tragos.”

piscou enquanto ia embora.

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