Every breath is catharsis

Mary
Mary
Jul 30, 2017 · 3 min read

Jurei pra mim mesma que não ia fazer mais textos tão pessoais, mas a verdade é que eu não aguento mais escrever qualquer coisa que não seja sobre mim mesma. Perdoa o egocentrismo.

Os dias têm sido tranquilos, apesar da nova rotina. Acordar antes das 6 da manhã é complicado, mas dizem que é um sacrifício válido em prol de um diploma. Quem sabe? Só tenho certeza que continuo amando a psicologia cada dia mais, mesmo que eu tenha toda a dificuldade do mundo em manter minha mente livre de pensamentos autodepreciativos. Ouvi dizer muitas vezes que, ao longo do curso, você se descobre e passa a conviver melhor tanto consigo mesmo quanto com os outros. Veremos.

Não apenas pensamentos ruins passam pela minha mente nos últimos tempos. Algumas epifanias e revelações também têm dado as caras por aqui. Recentemente, tive um pensamento que meio que me tirou dos eixos, mas está tudo bem. Já encontrei estabilidade novamente. Às vezes, essas coisas acontecem pra gente ficar mais em paz mesmo, e é bem isso que encontrei com essas mudanças no meu raciocínio.


Alguns dias são mais pesados que os outros. Sinto que não sou mais tão boa quanto fui antes, mas as pessoas insistem em dizer que estou indo bem. Eu faço o que posso.

Os mais velhos sempre dizem que o tempo passa mais rápido a medida em que envelhecemos. Vejo que isso é bem verdade e, ultimamente, 24 horas tem sido longe de suficiente.

Gosto de me entregar o máximo que posso à faculdade e ao trabalho, mas prometi pra mim mesma que, nesse semestre, cuidaria mais de mim. O problema é que, ao chegar em casa, é só comer e tomar banho que já está na hora de dormir. No fim, não consigo nem cuidar dos assuntos acadêmicos, nem de mim.

Desse modo, começo a entender porquê as pessoas conseguem maratonar séries: durante a semana simplesmente não sobra tempo. Se eu quiser assistir algo, vai ter que ser tudo de uma vez, em um curto espaço de tempo, como um final de semana preguiçoso ou um feriado prolongado.


Tive que alterar minha medicação por conta própria — eu sei que isso é muito errado — porque não aguentava mais as oscilações de humor. Em um minuto, o sol batia e meu coração se enchia de uma alegria serena e satisfação com a vida. No próximo momento, eu me perguntava porquê a moça ao meu lado no ônibus insistia em viver nesse mundo tão cheio de decepções, morte, doença e dor.

Vai entender o quê faz cada um continuar vivo. No meu caso, a esperança de uma morte serena faz o trabalho.


No fim, tá tudo bem. Continuo vivendo minha vida, dando um passo de cada vez na medida do possível, tendo momentos em que acho que vou desabar e, mesmo assim, vestindo minha armadura e enfrentando o dia-a-dia.

Saio de casa antes de clarear e volto quando já escureceu. A apatia diária se faz presente a cada momento, mas eu continuo aqui. Ainda aqui, ainda em pé. Eu encho meus pulmões pouco colaborativos com o ar gelado dos extremos do dia e, ao expirar, mando embora aquilo que minha mente não precisa. Aos poucos, esses processo de desintoxicação faz efeito e, quem sabe, logo poderei encarar a vida como algo significativo.


Título inspirado em Catharsis — Trash Boat.

Mary

Mary

Especialista em frustrações, colecionadora de memórias, fã de gatinhos e Doctor Who.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade