O POEMA QUE ESCREVI QUANDO DEVERIA ESTAR ESCREVENDO UM CONTO
O ilusionista embaralhando as cartas
Mais rápido do que a luz...
Um quiromante brincando com arcanos e acasos.
E nesse instante, o céu se move e os astros dançam sobre minha mandala...
O lápis traçando sobre a aspereza do papel,
Ou o som hesitante do teclado digitando...
E o universo se expande mais um pouco.
As mãos traçando as asperezas do meu corpo,
Ou som hesitante dos meus passos...
Os riscos que eu poderia estar correndo!
O conto que eu deveria estar contando!
Não "sou Howard Carter entrando na tumba de Tutancâmon"!
– E assim você finge saber exatamente o que o aguarda.
Meu velho álibi...
– É assustadora a vaga idéia de não haver realmente lições a aprender dos escombros.
Por favor, que haja!
– Você não deveria estar escrevendo outra coisa? Como quando criança que escrevia de ponta a cabeça...
– De certa forma ainda escreve... De ponta a cabeça.
Mas-... E se eu começar pelo meio dessa vez?
