O mais feliz da vida

Zelan
Zelan
Sep 2, 2018 · 2 min read

Tenho tido urgência de escrever, urgência de contar as coisas mais banais, as sagacidades de crianças, que só quem não convive com crianças não conhece.

É uma vontade de contar pro mundo sobre o quanto eu gosto das minhas meninas, sobre o quanto eu gosto de ser pai, e sobre o quanto eu gosto de ser pai de meninas. Em um mundo tão cruel, é uma missão especial lapidar e ser lapidado pela beleza das mulheres.
Ser pai em um mundo cinza, é uma foto preto e branco cheia de vida. Gris tecnicolor.

É a vontade de contar a alegria da parceria com uma mulher absurdamente admirável, que eu já disse uma vez, de uma inteligência silenciosa e humilde, que não precisa ficar falando o tempo. Que ouve meus raps: “Sejamos sócios na vida, Bonnie e Clyde, Jay Z e Beyoncé. Taís e lázaro, flor e pássaro, sertão e mandacaru” e reclama “Bonnie e Clyde não terminou muito bem”. Que vê meus filmes:
- Nesse alguém vai morrer?
- É um Poderoso Chefão, Fla. Sempre morre alguém.

É a alegria de saber que nosso problema mais recorrente é ter uma conversa interrompida por uma criança falante que quer contar cada detalhe do seu dia, ou falar que a irmã é muito fofinha.

É a bebê risonha risonha, que adora andar de carro, mas odeia os semáforos.

“Mas há dias em que nada faz sentido e os sinais que me ligam ao mundo, se desligam”. De todas vezes em que caio, e são muitas, de todos meus machucados e pensamentos recorrentes de fuga do mundo, são elas que me curam de mim, são elas que ligam as teias que me levem até mim, ou o melhor de mim.

A urgência de falar delas, é quebrar o Allan José que leva tudo a sério demais, que fala de trabalho e política em horários impróprios, e no fundo é só disso que eu sei falar (e de religião, mas disso eu não falo).
A urgência de falar delas é eu poder mudar qualquer música banal de amor em uma música de amor de verdade “em seus braços eu encontro uma razão para viver, e as feridas dessa vida eu quero esquecer”

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- Zoe, já falei pra não interromper enquanto a gente fala.
- Pai, eu ainda sou criança, meu “celebro” tá todo bagunçado ainda.