O Homem que ri

A origem da loucura

Foi nos anos 40 que Bill Finger, Bob Kane e Jerry Robinson criaram o que viria a ser um dos maiores vilões de todos os tempos.

Gwynplaine de O Homem que ri

Com base visual diretamente inspirado no personagem Gwynplaine do filme alemão L’Homme qui rit (O Homem que ri), o Palhaço do Crime inicia com uma carreira curta de um simples assaltante de banco destinado a morrer na mesma revista de sua aparição.

Todavia, com uma intervenção editorial foi poupado com o fim de se tornar o arqui-inimigo do Homem Morcego.

Era de Ouro

Durante suas aparições foi retratado cada vez mais seu lado sádico e doentio, mas ainda preso a um conceito de Gênio do Crime Mafioso.

Era de Prata

Ao longo dos anos sua personalidade foi sendo trabalhada e alterada levemente por diversos autores até se tornar, nos anos 70, algo mais próximo do Coringa que conhecemos hoje.

Diversas origens do vilão foram contadas afim de adaptar o personagem as mudanças de personalidade e atitudes sofridas ao longo do tempo.

Até que em 88 é lançada uma graphic novel escrita por Allan Moore e desenhada por Brian Bolland chamada Batman: The Killing Joke (A Piada Mortal) que descreve a origem mais popularmente aceita do vilão para os moldes modernos do personagem.

Era de Bronze

Em A Piada Mortal, o Coringa trabalha como Comediante Stand-up.
Por não ter graça, constantemente fracassa e cada vez mais agrava sua situação financeira.

Em desespero e incumbido de achar uma maneira de garantir a sustento de si mesmo e de sua esposa grávida de seu filho, o Coringa aceita trabalhar auxiliando dois assaltantes a invadir e roubar uma fábrica de cartas onde trabalhou e por tanto, sabia a melhor forma de entrar sem ser percebido.

No dia combinado e apenas esperando a hora de agir, recebe a noticia que sua esposa morreu em um acidente doméstico enquanto esteve fora. Completamente chocado pela tragédia percebe que não faz mais sentido algum o que estava prestes a fazer, infelizmente, coagido pelos assaltantes, o plano ainda seguiria sem qualquer alteração ou atraso.

Eis que o plano acaba em fracasso e mais uma tragédia sem volta ocorre naquele dia e o deixa deformado.

“Só é preciso um dia ruim pra reduzir o mais são dos homens a um lunático! É essa a distância que me separa do mundo. Apenas um dia ruim.” — Coringa

Todas as tragédias acumuladas deste dia o enlouquecem drasticamente transformando-o no Coringa.

Interessante que no final, essa versão é desmentida pelo próprio Coringa que diz que se lembra de várias origens diferentes com certa frequência.


Em 2011, um reboot chamado de Os Novos 52 traz um coringa que talvez tenha sido o mais insano sociopata de todos.

O Coringa desse universo rasga a pele do seu próprio rosto e o usa como máscara, além de ser a versão mais grotesca e lunática possível do vilão até então.

Novamente, em 2016 a DC resolve fazer um novo reboot em seu universo. Chamado de Renascimento e aproveitando o feedback sobre o último Coringa resolvem tentar algo novo.

Esse reboot não seria um zeramento completo. A ideia era deixar a linha principal de acontecimentos criada em Os Novos 52, alterando alguns eventos apenas.

Alguns personagens e revistas tiveram mais modificações que outros. No caso das mudanças que são relevantes ao Coringa, nas revistas do Homem Morcego, o Palhaço volta a ter seu rosto tradicional de antes de Os Novos 52.

Onde que para todo mundo, a remoção do “Coringa com o rosto rasgado” foi apenas mais um evento removido, já que ele voltava a aparecer com o visual antigo, foi na verdade uma proposta nova e ousada da DC.

Em Renascimento é descoberto que não existe apenas um, mas três Coringas, separando suas personalidades e aparências baseadas em épocas diferentes.

Independente de serem um ou três Coringas na cronologia principal do universo DC, sempre terão Coringas memoráveis e preferidos de cada um.

A mais popular versão do Coringa para o cinema, por exemplo, ainda é a de Heath Ledger do filme Batman Dark Knight (Batman Cavaleiro das Trevas) de 2008, dirigido por Christopher Nolan.

Versão adaptada onde Christopher Nolan conta que trouxe o Coringa para moldes mais realistas, podendo assim adequá-lo ao seu próprio universo de filmes.

Ainda em 2008 foi lançado a graphic novel Joker (Coringa), escrita por Brian Azzarello e ilustrada por Lee Bermejo, onde o personagem não só tem uma visão mais realista como também possui alguns trejeitos de Heath Ledger na interpretação do Coringa de Nolan.


Em Coringa de Azzarello, o Palhaço acaba de ser liberado do asilo Arkham. Não é contado o motivo dessa infame possibilidade, deixando inclusive os personagens curiosos.

Em uma das vezes que foi questionado, o Coringa com um leve sorriso em seu rosto apenas diz:

Bom… não sou mais doido… apenas louco.

Continuando com o ar de suspense e mistério criado desde o início da estória.


Outra menção honrosa é a versão do personagem mostrada na franquia de jogos Arkham, deixando finalmente os não-leitores de Comics com uma versão real do que é o Coringa, não só na personalidade como na aparência.

Os criadores do Coringa nunca imaginarão o rumo que seu personagem viria a tomar ao longo dos anos.

E pensar que tudo começou com um conceito tão simples, mostrar um homem que ri.

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