Agradeço suas pontuações sobre meu texto e desculpas se demorei para respondê-las, pois só as vi há pouco.
Apesar de eu ser sociólogo, nesse texto especialmente eu trabalhei com algumas premissas da filosofia contemporânea, principalmente com as discussões dos pós-estruturalistas.
Eu concordo com você quanto ao problema de gênero das relações de trabalho. Contudo, me limitei ao exemplo da prostituição a partir do pressuposto de que a figura da prostituta encarna em seu corpo a contradição latente de ser vendedora e mercadoria, ao passo que a classe-que-vive-para-o-trabalho, na condição de alienação, não é capaz de enxergar, grosso modo, que sua condição também é tão similar quanto a das prostitutas. O próprio Walter Benjamin já mencionara que se o proletariado tivesse a mesma consciência da prostituta a revolução já teria acontecido.
Eu não encaro a proposta de desativação das distinções entre sujeito e objeto nas relações afetivas contemporâneas como uma utopia, mas sim como uma heterotopia, no sentido foucaultiano do termo. Trata-se de construir espaços dentro da nossa sociedade que permitam que os corpos façam uso de si e do outro, mas que não os possuam, no sentido utilitarista do termo. O poliamor (ou amor livre) consiste justamente num movimento de construção desses espaços de contestação que, claro, encontraram limites substanciais em nossa sociedade.
Até mais.
