Talvez

A lousa o anuncia os próximos trabalhos, mas amanhã ele continua...

Frio, chá e pipoca. Dentes escovados e cama arrumada. Na cabeceira permanece um livro comprado há um tempo. Ele sabe que é bom (pelo menos é o que dizem), mas não começa a ler. Pensa que se conseguir dormir logo, amanhã pode acordar mais cedo. Aí pode ser que o dia esteja lindo, ele faz uma caminhada, toma sol, escuta algumas músicas e enfim começa a ler o livro. Talvez até lhe sobre um tempo pra respirar antes de mergulhar na galáxia do cotidiano.

Talvez nesse meio tempo alguém possa lhe contar uma novidade, ou quem sabe o preparar uma surpresa.

Talvez amanhã alguém apareça repentinamente e o ensine qualquer coisa, conte sobre algo que tenha lido no jornal ou o recomende um filme.

Talvez amanhã alguém o convide pra plantar bananeiras numa praça pública.

Talvez

amanhã.

Talvez amanhã ela volte a sentir aquela chama.

Talvez amanhã ele fique feliz.

Talvez amanhã alguém faça qualquer coisa que lhe tire do tédio.

Talvez amanhã ele crie uma música ou pinte um quadro enquanto dança e chora.

Talvez amanhã eles esqueçam de tudo que passou.

Talvez amanhã ele fique feliz.

Talvez amanhã ele não faça nada, porque essa opção também pode ser válida.

Talvez amanhã alguém lhe mande uma música, lhe dê uma planta ou lhe convide pra um café.

Talvez amanhã ele comece a conversar com alguém.

Talvez amanhã ela sinta calorosamente que ele a ama.

Talvez amanhã ele fique feliz.

Talvez amanhã alguém lhe faça qualquer coisa,

e essa coisa, talvez seja responsável por alguns milésimos de uma tão sonhada distração que o faz esquecer

da ansiedade, do medo, das neuras, das dúvidas e da posse.

das prisões, das religiões, das guerras e dos roubos.

da vida e da morte,

da loucura e da sanidade,

da fome e do desprezo,

do ego,

da existência

e enfim:

das mais variadas casas do talvez

e das mais variadas casas do amanhã.

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