Você tem medo de que?

A palavra medo te limita, muito mais do que você imagina…


É estranho como no nosso dia a dia usamos palavras fantasiosas como se elas realmente tivessem sentido. Uma dessas palavras é o MEDO.

Atualmente usamos tal palavra sempre para limitar uma determinada atitude, ou não atitude, frente a uma situação. Medo da violência, medo de atravessar a rua, medo de ser demitido, medo, medo, medo…

De acordo com a biologia, toda e qualquer emoção tem uma representação no cérebro, que é mediada por neurotransmissores, entre eles a noradrenalina, a serotonina e a dopamina. A fisiologia do medo se inicia nas amígdalas (estruturas que nada têm a ver com as da garganta), que têm o formato de uma noz e ficam próximas à região das têmporas. Elas identificam uma situação ou objeto do qual se deve tomar cuidado e enviam ao hipotálamo o sinal para a produção dos neurotransmissores. A partir daí, começam as reações no organismo que nos deixam em estado de alerta para agir, enfrentando ou fugindo da situação.

As amígdalas estão presentes na maioria dos animais. São elas, por exemplo, que fazem com que um cervo reconheça o perigo e fuja de seu predador. O que diferencia o homem dos outros animais é que ele é o único ser capaz de ter medo do medo. Isso acontece porque o homem é o único animal que consegue “imaginar” e acreditar uma situação dentro da sua mente. E a imaginação, como dizia Einstein, é mais forte que o conhecimento.

O medo é tão vazio e mesquinho, que muitas vezes se esconde atrás de outros medos para te convencer. O medo de altura, por exemplo. Não é da altura que tememos e sim de cair, de machucar, de morrer. Mas ninguém fala: não vou subir aí porque não quero morrer agora. Além dessa camuflagem, a banalização com o uso dessa palavra acabou a fortalecendo. Assim, fala-se que está com medo e todos entendem e aceitam, inclusive a própria pessoa.

Precisamos parar com essa espiral de um medo cada vez mais forte e comum. Todo medo precisa ser dissecado e compreendido no seu interior. Fazendo isso, vamos perceber que, na maioria das vezes, ele não tem sentido real e apenas imaginário. Ou seu sentido real é diferente do que estávamos convivendo: tenho medo do escuro? Não. Tenho medo é da minha imaginação, que fala que dentro desse escuro está meu sentimento de abandono. Tenho medo de falar em público? Não. Tenho medo é de não ser aceito, da crítica, do fracasso.

Além disso, se o medo realmente tiver algum fundamento, irá se transformar em um outro sentimento como precaução, segurança, atenção ou até em um desafio a ser superado.

Portanto, nesse primeiro momento, não mais aceite nenhum medo naturalmente. Nem mais pronuncie essa palavra para justificar suas limitações. Quando ele surgir, entre dentro dele e o desmascare. Faça-o se desintegrar e escorrer pelo ralo do banheiro. E depois, quando você já estiver seguro desse processo de bloquear o nascimento do medo, passe a observar seus medo antigos e já integrados à sua vida. Quem sabe eles também poderão ser dissecados e eliminados.