Th. Por Th: Como eu cheguei até onde deveria estar.

Desde que eu era bem pequena, lá pelos 6/7 anos eu sempre dizia aos meus pais e minha irmã que nunca teria filho e sempre ouvi que isso era coisa do momento, que eu era muito nova para pensar sobre isso etc. 8/9 anos se passaram e eu continuo com o mesmo pensamento, não quero ter filhos!

Mas agora é diferente, pois quando comento isso numa discussão com alguns colegas (eu faço um “curso” administrativo, então às vezes tem discussões sobre temas variados) eles me olham estranho e comentam a mesma coisa dos meus familiares, que é coisa momentânea. Ou seja, já dá para perceber que se eu falar que sou ace para eles, com certeza vão me olhar mais torto ainda.

Não que eu me importe com o que os outros acham, todavia me incomoda responder perguntas tão idiotas como, por exemplo, “você tem trauma? ”, “você tem alguma doença? ”, sinceramente não tenho paciência para esse tipo de coisa. E isso incluí os meus pais e minha irmã, pois conhecendo eles, vão achar que estou louca, que preciso ir ao médico, que estou tentando fugir da realidade ou algo do gênero.

No final da minha 4° série eu comecei a sofrer bullying por não estar no padrão de beleza, em ser muito tímida, por ter dentes tortos (tinha, uso aparelho agora, mas ninguém liga, haha), por ser muito ingênua (por conta que nunca me interessei em assuntos de namoro ou relações sexuais, então era bem “noob” nesse assunto, ainda sou) entre outras coisas.

E isso se estendeu até o meu 8° ano, na verdade não sei se parou por aí, pois eu já estava tão acostumada que fechei a minha “porta” de se importar com essas coisas, então se tinha alguém no meu ensino médio falando mal de mim ou sei lá, não faço a mínima ideia. Mas por tudo isso eu me isolei muito e ficava no meu mundinho, até que eu terminei o ensino fundamental e médio apenas com uma amiga, que é a mesma pessoa em ambos, que sempre esteve ao meu lado e continua estando durante 10 anos.

Perdi meu BV com 16 anos com meu primeiro namorado e com isso minha virgindade também. E foi aí que percebi que era diferente dos demais, pois só fui fazer sexo por conta de curiosidade, por ouvir diversas pessoas falando que era a coisa mais legal do mundo, que era uma sensação maravilhosa. Porém eu não senti nada disso, para falar a real, eu fiquei “sério que é isso? Sério que as pessoas acham isso bom? ”. Entretanto eu continuei fazendo para ver se isso mudava, mas não mudou. Obviamente meu relacionamento terminou por conta que não queria mais essas aproximações tão intimas.

Entrei em depressão por conta que não sabia o que eu era, onde eu me encaixava, porque para mim o meu relacionamento foi péssimo, muitas brigas, discussões, traições (ele me traiu), então aquilo tudo tinha afetado na hora do ato. Mas no fundo eu sabia que era algo mais sério.

Passaram dois anos e eu comecei a namorar à distância, ficamos juntos durante quase 2 anos. Por ser à distância, para mim tudo era muito perfeito, não tinha a parte dos toques íntimos e era tudo mais meigo e fofo. Óbvio que nós se encontramos pessoalmente, mas todas às vezes não passávamos dos beijos. Só que um dia isso mudou, a gente quase fez sexo, mas por minha falta de vontade não deu certo, ele foi compreensivo e continuamos apenas com carinhos fofos.

Passaram alguns meses e nesse “curso” que faço tive aula sobre sexo, sobre se conhecer melhor, machismo, feminismo esse tipo de coisa. E eu reparei que na parte que o professor falava sobre sexo 90% da minha sala ficava entusiasmado com o assunto, foi a parte mais participativa e eu comecei a reparar que só eu não estava nem aí para isso.

Quando voltava para casa, eu conversei sobre meu dia com meu ex e falando dessas coisas ele começou a falar para eu me interessar mais sobre o assunto (que no caso é sobre sexo), que era para eu não ser tão fraca nisso e talz. Mas eu realmente não queria mudar, então comecei a responder que eu estava bem não sabendo sobre isso e que fazer ou não, tanto faz para mim, na verdade estava (ainda estou) muito bem de não fazer durante 3 anos. E ele ficou surpreso com a minha resposta e começou a falar que eu não tinha maturidade para minha idade (como se isso fosse definir…).

E foi nesse exato momento que me deu um “estalo” na cabeça para eu procurar o motivo de eu ser assim e foi dessa maneira que conheci sobre a assexualidade, me identifiquei na hora nas coisas que eu lia e mandei partes de textos que eu encontrava para ele dizendo que era exatamente assim que me sentia. Ele ficou sem reação e depois de algumas horas conversando sobre, nós terminamos. Perdi meu melhor amigo por conta que descobrir como eu realmente me sinto e me encaixo. Mas não o culpo e nem sou a culpada, eu estou bem feliz em descobrir a verdade sobre mim mesma e não gostaria de me mudar nem um pouco sobre isso.

Durante esse um mês eu comecei a reparar mais ao meu redor e perceber que mesmo sendo assexual isso não muda nada, não sou “anormal”, só não me encaixo na realidade que muitas pessoas têm que é construir uma família, casar, ter filhos. Na parte de ter uma família, por eu ser heterorromântico, se um dia eu encontrar um parceiro que aceite não fazer sexo (sendo ace ou não) eu adoraria, mas não me importo de ser a “tia com 50 gatos”, como dizem, até porque eu amo gatos.

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