Contra a idolatria do Estado

A política brasileira está em crise. O povo percebeu que seus interesses não são a prioridade daqueles que elegeram para representá-los. Crise na economia, corrupção, abuso de autoridade, leis absurdas, impostos elevadíssimos, violência atingindo patamares assombrosos, e como se isto tudo não fosse grave, os políticos ainda querem dizer quem pode nascer e quem não pode, quer (re)definir os sexos e o casamento, dá novo significado à instituição familiar e, não satisfeitos, atacam o cristianismo como se esta religião fosse a mais nociva dentre todas as religiões. Com um Estado assim, como o cristão deve prosseguir? Neste excelente livro o pastor Franklin Ferreira responde esta questão e desenvolve argumentos sólidos e bíblicos contra a idolatria do Estado.
Logo na introdução, Franklin já aborda temas históricos que irá ajudar o leitor a compreender o que ele irá desenvolver nos oito capítulos. Fazendo uma forte crítica à esquerda brasileira tanto como a esquerda mundial, o autor é enfático ao atribuir toda a crise que estamos passando ao Partido dos Trabalhadores, que como todos devem saber, é de esquerda. E, claro, sempre baseando seus argumentos nas Sagradas Escrituras, pois este é um livro direcionado aos cristãos. Não somente a este público, mas a qualquer pessoa que está interessada em fazer uma relação entre as ideologias e a idolatria, tanto quanto compreender melhor o fato de [as ideologias] ser uma espécie de religião.
O primeiro capítulo trata um pouco sobre a história de Ester e como Deus agiu em prol do povo judeu ao estabelecer Ester como rainha e faz toda uma contextualização sobre o período em que Ester viveu.
Ester viveu em um tempo de grande perigo, pois seu povo, os judeus, estava então sob o exílio que lhe fora imposto pelos babilônios em 587 a.C., após destruírem a cidade de Jerusalém e o templo construído pelo rei Salomão (cf. 2Rs 24.18–25.30; 2Cr 36.11–23). Esse inimigo foi por sua vez suplantado em 539 a.C. pelos persas, liderados por Ciro, o Grande.
Analisando brevemente o livro de Ester, o leitor entende como Deus agiu para salvar a comunidade da aliança após o decreto “escrito em nome do rei Xerxes […] com a ordem de eliminar, matar e exterminar todos os judeus, jovens e idosos, crianças e mulheres, e de saquear os seus bens”. Mesmo o nome de Deus não sendo mencionado neste livro [Ester], compreendemos e vemos Ele agindo, estendendo sua forte mão para salvar o povo judeu. Este capítulo chega à conclusão de que aqueles que pretendem servir na esfera pública “deve ter uma vida moldada pelo conhecimento da Escritura e firmada na prática da oração. Sem oração e sem dependência a Deus, não serão bem-sucedidos aqueles que pretendem fazer a diferença nos palácios.” Encoraja todos os políticos cristãos a ter uma vida baseada na Palavra e saber utilizar as várias disciplinas acadêmicas, já que o nosso sistema permite que qualquer um possa aspirar a um cargo público sem ter o mínimo de conhecimento. Já que devemos fazer a diferença, o político cristão deve desenvolver uma cosmovisão cristã bem sólida e fundamentada para que assim possa atacar a cultura “questionando suas motivações, mensagens e propostas”.
O segundo capítulo surpreende, pois faz uma análise da Carta aos Romanos como uma reivindicação ao reinado de Cristo, pois somente o Cristo é Rei e Senhor sobre toda a terra e somente a ele devemos prestar culto. Os imperadores de Roma eram conhecidos por reivindicar para si a glória que é devida somente ao Senhor Jesus Cristo. O apóstolo Paulo não cita nomes, mas os romanos sabiam muito bem a quem Paulo se referia em Rm 1.18–32. Todo o capítulo é enriquecedor e reduz a pó o argumento de que os cristãos não devem se interessar pela política ou se envolver com ela. Não devemos ser submissos a um governo ilegítimo, e muitos usam Rm 13.1–7 para justificarem o seu silêncio em relação a um governo autoritário ou totalitário. Vejamos:
Paulo começa dizendo, em primeiro lugar, que todos os homens, cristãos e não cristãos, devem obedecer às autoridades (e, na passagem, essa é uma referência às autoridades governamentais seculares), porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades existentes foram por ele instituídas. No entanto, o mais importante no que ele afirma é que tal sujeição se dá porque é Deus quem institui as autoridades, e na passagem o apóstolo refere-se claramente às autoridades que executam apropriadamente suas funções. Em outras palavras, devemos reconhecer que a ordem do apóstolo para que nos submetamos aos governantes limita-se ao caso das autoridades legítimas.
Se um governo não recompensa o bem e deixa que o mal saia impune, esta não é uma autoridade legítima, portanto não devemos nos submeter a ela. O governo brasileiro se enquadra na passagem de Rm 13.1–7? Creio que não. Pois o que vemos, todos os dias, é apenas o mal triunfando e o Estado não se preocupa em puni-lo; já aqueles que fazem o bem ficam à mercê de bandidos que, grande parte, são protegidos por leis ultrapassadas e injustas. A escala da violência em nosso país é assustadora, e os políticos fingem não ver o estado de guerra que acomete a nossa nação. Como as nossas autoridades poderiam ser legítimas? Então usar esta passagem para justificar a passividade é um grande erro.
Franklin também resgata da História os dois regimes totalitários que foram responsáveis pelas mortes de milhões e milhões de pessoas inocentes: o nazismo e o comunismo. Sempre baseado em documentos históricos, ele explica que o nazismo não foi de extrema direita como a maioria pensa e a mídia rotula. Ele explica:
O que se convencionou chamar de “extrema direita” (regimes militares, fascismo, nazismo) na verdade são expressões do autoritarismo ou da extrema esquerda. Por essa razão, a esquerda nunca é comparada à direita. Com isso, a armadilha do discurso de esquerda é comparar uma ideia “perfeita” com a realidade, como se isso fosse prova da superioridade esquerdista. Contudo, a honestidade intelectual exige que se compare o socialismo real com o capitalismo real. Nesse caso, fica escancarada a inferioridade da esquerda, pois, como escreve Denis Rosenfield, a comparação “deveria ser entre a Alemanha [Ocidental] capitalista e a [Alemanha Oriental] socialista, entre a Coreia [do Sul] capitalista e a [Coreia do Norte] socialista”, mas a comparação é filtrada por uma “mentalidade religiosa”, “político-teológica”, em que se compara a direita real “com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições”.
Portanto, nazismo pertence ao espectro da extrema esquerda, não extrema direita. O que acontece é que os meios de comunicação são bastante simpáticos aos ideais da esquerda, por isso relacionam tudo quanto é ruim ao extremo da direita. Regimes ditatoriais como Venezuela sempre foi tratado como uma democracia, e o ditador como “presidente”. Mas como a situação por lá ficou bastante evidente ao ponto de não poder mais fingir que nada de ruim estava acontecendo com o nosso país vizinho, eles passaram a chamar a coisa pelo nome e encararam a realidade, esta que tanto insistem em não ver. Como ainda tratam o PSDB como direita, ou joga toda a culpa numa extrema direita brasileira que nem existe.
O livro ainda traz um capítulo excelente sobre a Igreja Confessante e a disputa pela igreja, um movimento de resistência de membros das igrejas Luterana, Reformada e Unida que resistiram ao regime nazista, o que ocasionou várias mortes dos membros, dentre eles Dietrich Bonhoeffer. Franklin também adverte aos cristãos que dizem ser de esquerda para o perigo que estão correndo, pois como ele já explicou, as ideologias de esquerda são como uma religião e requer de seus membros fidelidade. Não devemos ter dois senhores, e o cristão não pode servir ao Estado e ao mesmo tempo servir a Deus. Um livro que vai ajudar muitos cristãos, inclusive a prestar mais atenção em seus possíveis candidatos para cargos públicos. Só Cristo é Rei sobre toda a nossa existência e somente a Ele devemos prestar culto e honra. Todo o poder, glória e majestade pertence a Cristo, amém!
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