os “melhores” álbuns dos anos 01 (até agora)

Jovens queridos. Amigos e amigas. Convido vocês (só um convite mesmo porque ninguém é obrigado a nada) a “embarcar” nessa proposta de listar os álbuns mais legais da década até agora. É um trabalho duro mas é gratificante porque não há nada melhor do que relembrar os discos que nos marcaram nesses últimos anos. E QUE anos viu amigos? os nostálgicos que me desculpem mas os anos 00 foram especiais para a indústria musical.

De antemão, adianto que essa é uma lista de caráter puramente subjetivo. Esses não são, necessariamente, os melhores discos da década, e sim meus favoritos. (Quem sou eu pra julgar o que é bom ou ruim, né?) Mas bem, foram esses os álbuns que eu mais curti. Também adianto que não fiz essa lista levando em consideração a Repercussão da Crítica Musical Profissional™ (apesar de, como vocês verão, alguns queridinhos da crítica são meus queridinhos também). Pra escrever, eu usei a intuição e o coração (até porque não tenho conhecimento para falar de técnica mesmo), então não me preocupei em escolher alguns cds rechaçados ou que passaram despercebido.

Então aqui está o convite para vocês acompanharem essa lista junto comigo. Adoraria ouvir opiniões e comentários, música é uma coisa que eu poderia falar por dias e dias.

E, como é inevitável, alguns grandes discos ficaram de fora. Para citar apenas alguns, temos o álbum de estreia do METZ, o The Physical World do Death From Above 1979, o Congratulations do MGMT, o Coexist do the xx, o Suck It and See do Arcticmons, Free The Universe do Major Lazer, Moment Bends do Architecture In Helsinki, Overgrown do James Blake e zilhões de outros. É melhor nem começar a citar.

E agora sem mais enrolação

#50 The Maccabees — Given To The Wild (2012)

uma viagem

Given To The Wild é estranho não só por ser marcadamente diferente de todos os álbuns que o Maccabees lançaram, mas também pelo seu som. Seu ritmo mais lento, seus vocais suaves e sua produção caprichada dão a esse disco uma aura de música composta por alguém que não está completamente despertado. Essa vibe* de sonho é mais pronunciada em Ayla, uma música cheia de elementos de catarse e que até hoje é a melhor e a mais bonita da banda. É música pra se ouvir de olhos fechados e deixando a imaginação solta.

*peço perdão pelo uso da palavra “vibe”

ouça também: Forever I’ve Known, Feel To Follow, Pelican

#49 The Drums — The Drums (2010) e Portamento (2011)

Morrissey encontra os Beach Boys

A primeira frase que o The Drums canta no seu disco de estreia é “you’re my best friend but then you died when I was 23 and you were 25”. Já dá pra perceber que esse é uma banda pesada no drama. E não termina por aí: refrões como “I thought my life would get easier, instead it’s getting harder” e títulos como “It Will All End In Tears” e “I Don’t Know How To Love” são outros exemplos do quanto eles gostam de ser teatrais. Mas o The Drums faz drama com tanta convicção e talento que é difícil não levá-los a sério. Por trás da máscara de caras tristes, esse é um grupo bem pop, incorporando influências da surf music sessentista e dos Smiths. Seus 2 primeiros álbuns, The Drums e Portamento, contêm alguns dos melhores singles pop dos últimos anos, incluindo as imperdíveis Money (I want to buy you something but I don’t have the money) e Hard To Love (I would never hate you but you’re hard to love). É um pop retrô sobre sentimentos exagerados e não tem coisa melhor do que isso.

The Drums é uma banda da Flórida baseada em Nova York
ouça também: Best Friend, Book Of Stories, I Don’t Know How To Love, Hard To Love

#48 Stromae — Racine Carrée (2013)

en français s’il vous plait

O homem certo no lugar certo e na época certa. Criado em Bruxelas e filho de um ruandense e um belga, Stromae estourou na Europa em 2010 com Alors on Danse (no Brasil Afoga o Ganso) mas o seu melhor álbum saiu 3 anos depois. Racine Carrée é um caldeirão de rap, R&B, eletrônico e dance music, fruto da cabeça de um artista conectado com o contemporâneo (vide Carmen, um grito contra as redes sociais) e com as suas raízes africanas (vide Ave Cesaria, uma linda homenagem à cantora cabo-verdense Cesária Évora). Racine Carrée é um globalizado, sofisticado e divertido. Assim como seu criador.

Stromae é Paul van Haver
ouça também: Ta fete, Ave Cesaria, Carmen, Afoga o Ganso

#47 Cut Copy — Free Your Mind (2013)

uma carta de amor à rave

Foi nesse álbum que o Cut Copy trocou o electropop por algo mais pesado. Fortemente influenciado pelo trance e pelo psy, mas ainda suficientemente elegante para ser apreciado por qualquer pessoa com ouvidos, Free Your Mind é uma declaração de amor à rave e à dance music. É um disco ácido, psicodélico e grudento que tem como pilar central Let Me Show You Love, um titã hipnotizante de psytrance e pop. É o tipo de música que alucina. Mas Free Your Mind é também capaz de oferecer outros tipos de sensação, como a nostalgia retrô In Memory Capsules e o pop de We Are Explorers. Outro ponto indiscutivelmente alto é a belíssima Walking In The Sky, uma viagem transcendente (e chapada) a outro mundo. Walking In The Sky é surpreendentemente emotiva com seus back vocals, seu clima de sonho e parágrafos como “I’ve lost my friends but I’m walking in the sky/I’ve crashed my car but I’m walking in the sky/I think I’m home but I’m walking in the sky”. Free Your Mind é um convite literal para abrir a mente para novas sensações e se isso significa apelar para substâncias ou não depende do ouvinte, mas esse disco te convida para uma viagem e — melhor ainda — te leva lá nos headphones. Em segurança.

ouça também: We Are Explorers, Walking In The Sky

#46 Matthew Dear — Beams (2012)

com quantos homens se faz uma discoteca?

Ninguém faz dance music como Matthew Dear. Esse Gandalf dos teclados consegue transformar qualquer batida repetitiva em uma festa elegante. É o tipo de música que deveria tocar em coberturas, lounges, iates e outros ambientes frequentados por gente rica. É um eletrônico sexy, confiante, urbano e tenaz que troca a extravagância do EDM por algo mais paciente e classudo. É como se David Guetta fosse uma pitu vencida e Matthew um bebida de 1000 dólares. Beams, sua obra-prma, ainda dá espaço para o produtor fazer reflexões surpreendentes com sua voz marcantemente grave “am I a grown man? am I not a great design? do I feel love like all of the others or is this feeling only mine?” e proclamar “it is one in a million hearts that feels the way — the way I do”. E ele tem razão, Matthew é um cara singular mesmo.

Matthew Dear é um DJ e produtor texano
ouça também: Fighting Is Futile, Up & Out

# 45 Unknown Mortal Orchestra — II (2013)

os superpoderes da Orquestra Mortal Desconhecida

O UMO faz um rock psicodélico e eletrônico com produção lo-fi e um pouco de folk e conseguem fazer com que tudo isso dê certo. Apesar de algumas de suas melhores músicas como FFunny FFrends, Multi-Love e Extreme Wealth and Casual Cruelty estarem espalhadas pelos seus 2 outros álbuns, o II pode ser considerado o seu melhor disco. O álbum já abre com From The Sun, uma das músicas mais sensíveis dessa década. É uma música pesada e muito bonita que fala sobre solidão extrema, depressão, isolamento e suicídio e o seu clipe, uma metáfora sobre o quanto somos psicologicamente abusados no nosso dia-a-dia, aumenta ainda mais a sensação. (“I’m so tired but I can’t never lay down my head/I’m so lonely but I can’t never quite reach the phone/ I’m so lonely I’ve got to eat my pop-corn all alone). E ainda tem pérolas como Swim and Sleep (Like a Shark) e a romântica So Good At Being In Trouble (so bad at being in loooove).

Unknown Mortal Orchestra é uma banda de Auckland (Nova Zelândia) baseada em Portland (Oregon)
ouça também: Swim and Sleep (Like a Shark), So Good at Being In Trouble

#44 Everything Everything — Arc (2013)

4 cdfs formaram uma banda e…

Com tantas referências políticas, culturais e literárias, podemos dizer que o Everything Everything é uma banda estudada. Você pode até imaginá-los como os cdfs arrogantes de humanas do colégio. Eles não se incomodam em encher suas letras de metáforas e rimas e é em Arc, seu segundo álbum, que a banda atinge a sua melhor forma. Cough Cough, a abertura, é um trabalho irresistível baseado numa percussão forte (pense em tambores de Maracatu) e numa letra de denúncia política (there’s something wrong but it’s ok if we’re still getting paid). O videoclipe bastante gráfico aumenta o impacto ainda mais. É uma música revigorante e empoderadora com os seus “I’m coming alive! I’m happening now!” e no mesmo disco também temos Undrowned, uma poesia musicada angustiante repleta de frases bem sacadas como “hey man, you’re probably right, it’s not a galaxy made for a guy like me”. Nenhuma outra banda no mundo poderia falar de futebol, do parlamento britânico, de harpias, de auto-ódio, de solidão e rimar Falklands e Balcãs na mesma música. Só o Everything Everything. Os CDFões.

Everything Everything é uma banda de Manchester

#43 Cage the Elephant — Thank You, Happy Birthday (2011)

brigado eu, parabéns pra você

Um álbum angustiado sobre crescer, sentir saudades e ter sentimentos confusos, Thank You, Happy Birthday ainda é o melhor do Cage The Elephant. É um pop-rock pós-adolescente bem escrito e digno dos melhores momentos da MTV, mas se distingue de outros discos do mesmo gênero pela sua coragem em adicionar doses generosas de sentimento. TYHB é inseguro e nostálgico, basta ler os comentários do youtube para ver quantas centenas de ouvintes (literalmente) não choraram ao som de Aberdeen e Shake Me Down, músicas agitadas que atingem um momento de catarse bem triste. E também tem Rubber Ball, que é o tipo de música “quase triste demais pra ser verdade”. Esse é um disco como nenhum outro.

Cage The Elephant é uma banda de Bowling Green, Kentucky
ouça também: Shake Me Down, Rubber Ball

# 42 Lana del Rey — Born To Die (2012)

nasce o mito

Todo personagem tem uma origin story e a de Lana del Rey começou em 2012 com Video Games, quando ela ainda era um mistério. 4 anos depois, Lana se manteve consistente mas nunca conseguiu superar seu pontapé inicial. Born To Die é um dos raros cds em que praticamente cada música merecia um single e foi o responsável por alimentar o mito de Lana del Rey. Dramático, bem produzido, original, charmoso e surpreendentemente esperto (especialmente no que se trata de relacionamentos), é fácil entender por que as pessoas se apaixonaram por esse disco. A voz inconfundível de Lana, o clima teatral, a imagem de mulher desesperada e sofrida, Lana já conseguiu na sua estreia criar um personagem imaculado para um público de fanáticos. Parte Evita Perón, parte Cinderela, parte junkie de esquina e parte amante fragilizada, o mundo da música não é o mesmo depois da personagem Lana del Rey.

ouça também: Blue Jeans, Born To Die, Dark Paradise, Without You

#41 AlunaGeorge — Body Music (2013)

a dupla mais sincronizada desde Queijo & Goiabada

Body Music é um disco mais viciante que crack*e mais divertido que pula-pula. São 14 músicas de um electropop bem direto que une a produção eletrônica imaculada de George Reid (a parte electro) e o vocal agudo de Aluna (a parte pop). Juntos, eles formam a dupla mais imbatível desde Batman e Robin. Elegante (Your Drums, Your Love), extremamente sexy (Just a Touch) e fácil de se cantarolar (Attracting Flies), Body Music é um disco de estreia com a confiança que bandas veteranas demoram décadas para adquirir. É um caleidoscópio de influências R&B, house e soul que resulta em um dos discos mais legais e simpáticos desse começo de década.

AlunaGeorge é uma dupla de Londre
ouça também: You Know You Like It, Attracting Flies, Your Drums, Your Love

#40 Santigold — Master of My Make-Believe (2012)

dentro da cabeça da mulher maravilha

Plural como uma artista renascentista, Santigold é cantora, rapper, ativista política, designer, estilista, escritora, percursionista, DJ, produtora e atriz. Dona de uma das personalidades mais originais do nosso tempo, essa nativa da Filadélfia lançou em 2012 o seu segundo álbum, Master of My Make-Believe. MoMB é um manifesto das principais ideias da artista, é um álbum fortemente influenciado pelo reggae, pelo ska, pelo punk e pelo rap e ainda denuncia algumas das principais mazelas da sociedade contemporânea, como o materialismo, o racismo, a desigualdade social e a falta de união. É um trabalho sonicamente rico, indo desde a empoderadora Go! (“people want my power/and they want more station/stormed my winter palace but they couldn’t take it/all the way to Paris ruin my reputation/try to pull my status but they couldn’t fake it”) até Big Mouth com sua percussão de bateria de escola de samba e a lenta e bonita Disparate Youth (we know now we want more: a life worth fighting for). Para ter uma ideia melhor do disco, é fundamental assistir ao imperdível clipe de The Keepers, uma metáfora criativa sobre tudo o que Santigold critica e despreza. Ninguém faz crítica social tão bem quanto essa mulher.

Santigold é Santi White, da Filadélfia

#40 (empatado) Tyler, the Creator — Goblin (2011)

tyler, o indomável

Genial, repulsivo, incompreendido, violento, perturbador, original, brilhante. Esses são alguns dos adjetivos para descrever o polarizador Goblin, disco de estreia de Tyler, the Creator. É um disco de rap que não se incomoda em ser iconoclasta, visceral e extremamente politicamente incorreto (rape a pregnant bitch and tell my friends I had a threesome). Tyler se apresenta no disco como um jovem repleto de ódio e ressentimento e conversa com um psiquiatra para tentar entender a origem de tanta raiva. (Abandono paterno? bullying? tédio?). É uma proposta original e inimitável que somente alguém como ele poderia fazer dar certo. É um disco pesadíssimo (exemplo de refrão: “kill people, burn shit, fuck school”) mas também é um pedido de ajuda de uma cabeça confusa, perdida e desesperada (no álbum o personagem Tyler tenta se matar e o psiquiatra tenta dissuadi-lo). Tyler é brilhante, mas também é repleto de auto-ódio e sentimentos conflitantes e Goblin já é um clássico da nossa era. Quem mais seria capaz de combinar piadas sobre DST (Bopping Bitch) e uma análise pesada de id/ego/super-ego no mesmo álbum?

Tyler, the creator é de Los Angeles
ouça também: Goblin, Radicals, Her, Boppin Bitch

# 39 Wavves — King of the Beach (2010)

de stoners para stoners. com carinho

Nathan Williams do Wavves não é o tipo de amigo que sua avó aprovaria. Ele é um cara nascido no final dos anos 80 que se comparta como se tivesse eternamente 15 anos e o seu consumo de erva é suficiente para queimar 3 babilônias. E não estamos falando de erva cidreira. Seu disco King of the Beach é uma joia punk rock, recheado de músicas para skatistas, surfistas e jovens inconsequentes. Ele é realmente um cd praiano com uma vibe relaxada, divertida e despreocupada de alguém que está de férias eternas. Mas por trás desse aspecto recreativo, Nathan Williams mostra uma personalidade conflitante e hesitante, oscilando entre o auto-desprezo (I’m not supposed to be a kid/but I’m an I-DI-OT/I’d say I’m sorry but I it wouldn’t mean shit) e auto-confiança na mesma música (I will never die, I’m a hero in my mind). Esse é um álbum divertidíssimo (como no hino King of the Beach), levemente experimental (ex de música noise: Mickey Mouse), jovial e antêmico. E no final você fica com a sensação de que há algo errado na cabeça de Nathan. é só ouvir como ele se refere a si mesmo e à sua música em Take on the World: I still hate my music, it’s all the same/ and I hate myself, man. but who is to blame? não importa, Nathan, a gente te adora.

ouça também: King of the Beach, Idiot, Take on the World, Mickey Mouse, Convertible Balloon

#38 Disclosure — Settle (2013)

isso é o que acontece Quando Um Fire Starts To Burn

O mundo da música eletrônica é um lugar melhor depois da chegada de Settle. Esse disco milagroso que conseguiu unir hipsters (desde a Pitchfork) e playboys (até os frequentadores da Tommrowland) é um marco fundamental na dance music dos anos 01. Settle contou com a colaboração de talentos ascendentes como Sam Smith*, AlunaGeorge e Jessie Ware mas, acima de tudo, foi o disco que revelou os próprios irmãos Disclosure. Settle é dançante (When a Fire Starts To Burn, White Noise) e sexual simultaneamente (Latch, F For You). É uma coletânea de música eletrônica produzida por 2 irmãos que são fãs confessos do gênero. É um disco que homenageia os ídolos do Disclosure (influências do grime, house, R&B e disco music) mas que também consolidam os irmãos como novos reis da categoria. É muita responsabilidade para um disco de estreia, mas depois do excelente Caracal eles mostram que estão aptos ao trono. Com o perdão da expressão, o fogo vai queimar e se espalhar por muito tempo ainda.

*se Sam Smith é um “talento”? bem, não é qualquer um que consegue arruinar a abertura de 007

Disclosure é Guy e Howard Lawrence, dupla de irmãos de Londres
eu amo essa música como se fosse um filho mas ouça também Latch, F For You e White Noise

#37 The Naked and Famous — Passive Me, Aggressive You (2010)

as dores de ser puro no coração

Apesar do nome, The Naked and Famous é uma banda comportadinha, vestida e pouco conhecida. E apesar do desastre do seu segundo álbum (imagine a lama da Samarco chegando no Atlântico), o seu disco de estreia Passive Me, Aggressive You é gigante. Gigantesco. É o tipo de estreia que te garante fãs devotos para a vida inteira. É um disco que dá voz a todos os sentimentos conflitantes da pós-adolescência: a sensação de estar crescendo confuso, a busca pela sua identidade, por maturidade e pelo seu espaço no mundo. O grito “we’re only young and naive still!” em Young Blood ecoa como mantra para todos entre os 17 e 25 anos e Girls Like You é um colosso de música que explode em um crescendo e fala sobre bullying e sobre ter uma musa inspiradora que te despreza. “don’t you know people write songs about girls like you?!” São as dores de ser puro no coração.

The Naked and Famous é uma banda de Auckland, Nova Zelândia que atualmente encontra-se baseada em Los Angeles

# 36 Sharon van Etten — Are We There (2014)

ainda não chegamos lá mas estamos perto

Se você acha que por trás de todo grande artista existe uma grande origin story, conheça Sharon van Etten. Após anos cantando em pequenos bares sem conseguir uma gravadora, Sharon se sentiu coagida por um namorado a desistir da carreira artística. O namorado em questão chegou a quebrar seu violão e dizer que não confiava em suas habilidades artísticas. Em um enredo digno de filme, ao invés de deixar a música, ela escolheu abandonar o namorado e se mudou para Nova York, onde gravou 4 álbuns e 1 EP. Não é à toa que seus primeiros discos são carregados de mágoa e ressentimento típicos de alguém que passou 6 anos em um relacionamento emocionalmente abusivo. (“to say the things I wanted to say to you would be a crime. to admit I’m still in love with you after all this time I’d rather let you touch my arm until you die. seduce me with your charms until I’m drunk and then go home and drink in bed and never let myself be in love like that again”).

Are We There, seu disco mais recente, é também a primeira vez que Sharon, em toda sua carreira, se permite um pouco de otimismo. É um relato em primeira pessoa sobre se disponibilizar a novos começos e a encarar vida com outros olhos. É um disco repleto de boas músicas sobre estar a meio caminho da superação (Afraid of Nothing; Taking Chances; Nothing Will Change) mas que possui em suas estrutura 2 pontos altos muito bem definidos. O primeiro é I Love You But I’m Lost, quando ela adota sua forma mais minimalista voz+piano e sensibiliza até os corações mais durões. O segundo ponto alto é Every Time The Sun Comes Up, em que Sharon demonstra um estoico senso de humor rindo (literalmente) de si mesma e declamando ironicamente “every time the sun comes up I’m in trouble” e “I washed your dishes but I shit in your bathroom”. Como música final, é um sopro de otimismo na carreira de alguém que se acostumou a cantar sobre o lado negro da vida. É um desfecho perfeito para uma história sobre virar a página.

Sharon van Etten é uma cantora-compositora de Nova Jersey
escute também: Afraid of Nothing, Taking Chances, I Love You But I’m Lost, Tarifa

# 35 Drenge — Drenge (2013)

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