farol alto, farol baixo, tsss tss tsssss!

Lá estava eu novamente, esperando o bendito ônibus na parada. Hoje ele chegou cedo, parece que aumentaram a frota devido a volta das aulas. Assim que subi no ônibus fui premiado, mais uma vez, com aquele motorista maldito. Talvez ele fosse o pior motorista na linha Bancários 3510. Já que estamos numa daquelas peças que a vida prega, nada melhor que sentar na primeira cadeira disponível, bem de frente pra todo aquele vidro frontal, uma cadeia próxima a que eu sentei no dia em que esse mesmo motorista havia batido na traseira de um caminhão.

Já estava acostumado com o jeito irresponsável que aquele motorista guiava o ônibus, sempre com uma pressa que parecia ser mais importante do que as Leis de Trânsito ou a consciência com o próximo. Confesso que tenho um preconceito com motoristas de ônibus, é que a maioria deles se acha superior aos demais motoristas de carros normais, sempre colocam o bico de seus ônibus em cruzamentos pra garantir a vez, se confiando que o estrago será maior no carro caso o fluxo não pare para que Vossa Excelência dirija seu ônibus ao destino final. Óbvio que não são todos os motoristas que são assim, óbvio que o interesse público sobrepõe o privado, mas nada justifica o descumprimento as normas de trânsito. Fato curioso: já notou que os motoristas não usam cinto de segurança? Os passageiros nem tem essa opção.

Pra quem anda na Epitácio Pessoa já está familiarizado com a faixa exclusiva para o ônibus. Excelente iniciativa, diminui o trânsito e aumenta o fluxo dos ônibus. Um carro resolveu entrar nessa faixa pra ganhar um pouco mais de tempo, já que ia entrar na próxima rua a direita, sendo forçado a passar pela faixa exclusiva. Má escolha. O motorista começou a subir e baixar o farol, buzinar, encostar na traseira do carro, comecei a me perguntar o porquê de pessoas virarem animais quando estão no trânsito.

Quando o trânsito parava era incrível, admirei muito a esperança que aquele motorista tinha na vida como um todo, ele acreditava que quanto mais buzinasse, mais rápido os carros iriam abrir espaço pra que ele passasse com o seu ônibus, mesmo quando essa opção não era sequer possível. Um repleto ignorante.

Olhei pra o cobrador, esse sim estava sem pressa. Sentado de modo relaxado, com uma perna esquerda apoiada em um daqueles metais que provavelmente servem pra diminuir o impacto de uma batida, fazendo seu corpo não ir lançado fora do ônibus pelo vidro da frente. Esse não fazia questão de que o tempo passasse rápido, sabia que o horário estava contra sua profissão, sabia que quanto mais rápido o ponteiro passasse, mais rápido todos os cobradores seriam demitidos pra cortar os gastos da empresa, já que hoje em dia são desnecessários, já tem uma máquina que lê um cartão — este possuindo crédito — e libera o giro da roleta. Um repleto sem futuro. Trágico.

Hoje ele não bateu o ônibus, pude chegar no horário normal em casa. A viagem havia passado rápida porque eu dormi quase toda a rota, só era acordado quando o motorista freava de vez ou fazia uma curva em alta velocidade.

Cheguei em casa tranquilo, botei a coleira no meu cachorro e fomos dar uma volta. Fiz questão de deixa-lo me guiar, afinal, naquela volta eu não tinha pressa alguma.

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