Resenha: filme “O experimento Frankenstein”

(The Frankenstein Syndrome)

(original no AdoroCinema)

★★★★1/2

Várias versões já foram feitas tendo por base a clássica e profunda história escrita por Mary Shelley, ou histórias relacionadas — só aqui no AdoroCinema mesmo tem 13 filmes ao buscar pelo famoso nome. Evidente que nem todos são diretamente baseados no livro que — em minha humilde opinião — é um dos melhores de terror, por misturar suspense e o terror físico em si com um drama psicológico bem marcante (recomendo muito a leitura).

Falemos do filme dirigido por Sean Tretta. Para começar, é um filme que tanto não é nem diretamente uma produção cinematográfica da história com dr. Frankenstein e sua criatura; assim como também não é um subproduto de uma história original, a exemplo de A noiva de Chucky, com a macabra parceira do boneco assassino. Na verdade “O experimento Frankenstein” (que no Netflix consta como apenas “Frankenstein”) é uma adaptação da obra de Shelley aos tempos modernos, assim como foi feito em Romeu + Julieta com a também clássica obra de Shakespeare.

Para ser mais exato (mas procurando não dar spoilers): “O experimento Frankenstein” não é apenas uma história envolvendo um cientista com uma ideia louca, que dá vida a um monstro, arrepende-se, e não só fica aterrorizado com o erro, como… bom, o final desta você lê no livro. Enfim, esse filme aqui conta com uma trama com doses de thriller com chefes/grupos sem moral, discussão sobre limites éticos da Ciência, e, inegavelmente, terror. No entanto certas bases do antigo romance estão lá: o drama psicológico da aberração à espreita, o drama psicológico da criatura, bastante sangue (sim, no livro há trechos bastante sangrentos) e uma pergunta sempre pairando no ar: vale mesmo a pena ir atrás de qualquer ideal que distorça o sentido de uma vida?

Apesar de uma ou outra cena poder ser vista como meio exagerada no sangue e especialmente no aspecto gore (o que um fã de terror pode apreciar bastante), além do já cientificamente refutado argumento de só usarmos parte de nossos cérebros (papo velho que ainda em 2015 rende filme — olá, Lucy!), resumindo, mesmo com pequenas ressalvas, o filme ainda é recomendadíssimo. Vale muito pela releitura de um clássico literário, pelos sustos, a tensão provocada, e principalmente as excelentes reflexões que levanta sem ser um documentário enfadonho.