O jornalista Dirceu Alves Jr. fala sobre a biografia de Elias Andreato, ator e diretor que saiu da pobreza no interior do Paraná para se tornar um dos grandes nomes do teatro brasileiro

Dirceu Alves Jr. (Foto: Guilherme Queiroz)

Com lançamento na próxima segunda-feira (8), às 19h na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, Elias Andreato, A Máscara do Improvável põe um ponto final num projeto de quase cinco anos. Começou em 2014, quando o crítico de teatro da Veja São Paulo, Dirceu Alves Jr., fez uma série de entrevistas com o ator e diretor. Cheia de histórias, a biografia faz ainda um percurso mais longo: a de Elias — da infância pobre no Paraná até hoje, quando, aos 64 anos de idade, é dos maiores nomes do teatro brasileiro. …


Odisseia platina, “A Uruguaia”, do argentino Pedro Mairal, explora ao máximo as possibilidades narrativas em um dia da vida de um escritor latino-americano

Pedro Mairal (foto: Xavier Martin)

Não há muitos mistérios em A Uruguaia. Lucas Pereyra, o protagonista e narrador, é um escritor quarentão, superlativo também nas crises — criativa, familiar, financeira. No dia em que a narrativa se desenrola, ele toma o ferry em Buenos Aires com destino a Montevidéu para sacar, cash, US$ 15 mil de adiantamentos de dois livros. Vai tirar o pé da miséria e — de quebra, inconfessadamente — reencontrar a linda uruguaia de 28 anos que conhecera meses antes. Tudo muito banal. Mais ainda se dissermos, desde já, que o dia não será dos melhores.

Não importa. Compacto e virtuoso, o…


Caso único na obra do autor americano, o romance "Quando Ela Era Boa" traz uma mulher como protagonista, numa história que ajudou a construir a fama de misógino do escritor

Quando, em 22 de maio deste ano, Philip Roth morreu, duas questões em torno da sua obra voltaram ao noticiário. A primeira dizia respeito ao fato de o escritor ter sido ignorado pela academia sueca em seus 50 anos de carreira, quase 30 romances publicados e inúmeros prêmios, tornando-se (mais um) caso de injustiça do Nobel de Literatura. A segunda questão encerrava uma pergunta: o ex-maior autor americano vivo não passava de um misógino, por conta dos paupérrimos personagens femininos representados em sua obra?

A contestação não vem de agora. Desde 1969, quando lançou O Complexo de Portnoy, Roth criou…


Entre o amor e a compulsão, entre o sobressalto da paixão e a morte, Felipe Hirsch evoca o mundo dos livros na atmosfera platina de “Severina”

Javier Drolas e Carla Quevedo

Existe algo de fascinante na ideia de roubar livros. Na vida real ou no mundo da ficção, não são muitos os ladrões capazes de desafiar códigos morais com uma delicadeza que não passa pelas pobres fábulas de justiça social. Como se o desapego deles ao valor estritamente material do objeto subtraído (quando é o caso) fosse capaz não apenas de absolvê-los do ato, mas também de fazer frente, eticamente, aos sétimo (não roubarás) e décimo (não cobiçarás o que é do próximo) mandamentos de Deus. …


Em “A Noite da Espera”, primeiro volume da trilogia “O Lugar mais Sombrio”, Milton Hatoum escreve o romance de formação de um país

Foto: Adriana Vichi/Divulgação

Se é verdade que o romance nasceu para atender aos anseios do homem comum de projetar sua própria imagem no mundo, esse gênero — individualista por natureza, digamos assim — achou no Bildungsroman uma das suas melhores expressões. Cunhada pelos românticos alemães no século 18, o termo designa os romances de formação — aqueles cujas tramas se centram preferencialmente na trajetória (tortuosa, naturalmente) de um personagem a caminho da vida adulta.

Segredo nenhum em dizer de cara que a Noite da Espera — O Lugar mais Sombrio, primeiro volume de uma trilogia iniciada agora por Milton Hatoum, é um herdeiro…


“Pape Satàn Aleppe” reúne os últimos textos de um Umberto Eco às voltas com a internet e a “sociedade líquida”

O filósofo italiano Umberto Eco (1932-2016) foi daqueles intelectuais difíceis de definir com alguma rapidez. Medievalista, semiólogo e bibliófilo (com certa obsessão pelo universo fabuloso de Jorge Luis Borges), criou um caso sério com as ideias frankfurtianas sobre a indústria cultural, no já proverbial Apocalípticos e Integrados (1964). Foi original, em especial, na abordagem da comunicação de massa a partir da perspectiva da semiótica, e, matreiro, ainda se deu ao luxo de aplicar seus prazeres e concepções na realização de um arrasa-quarteirão de vendas, o romance O Nome da Rosa (1980). …


Em “Assim na Terra como Embaixo da Terra”, Ana Paula Maia une a violência de Estado kafkiana a uma obra já marcada pelo feio, sujo e malvado

Foto: Rafael Dabul

Desde 2003, quando publicou seu primeiro livro, O Habitante das Falhas Subterrâneas, Ana Paula Maia é uma voz singular na literatura brasileira contemporânea. A escritora estampa seu nome na capa de seis romances em que violência, crueza e perversão funcionam como guias de uma prosa no mais das vezes econômica, limitada ao essencial. Em vez do ordinário mundo urbano, o isolamento da vida rural; no lugar do frequente realismo psicológico, um quê de “naturalismo”, como ela mesma define — uma ideia que faz muito sentido numa literatura pulp, de fotografia suja e de, também, assumida inspiração cinematográfica.

Na entrevista que…


Fronteira da Grécia com a Macedônia

O Museu da Imagem do Som exibe as imagens de refugiados de guerra que renderam o Prêmio Pulitzer de 2016 ao fotógrafo paulista Maurício Lima

Foi em 2016 que o fotógrafo paulista Mauricio Lima recebeu — com surpresa — a notícia de que havia ganhado o prêmio Pulitzer de Fotografia por seu ensaio registrando o êxodo de refugiados do Oriente Médio para a Europa. Farida, um Conto Sírio, exposição que acaba de ser aberta no MIS em São Paulo, reúne 33 dessas imagens, formando um documento contundente sobre um dos maiores dramas do nosso tempo.


No romance Noite Dentro da Noite — Uma Autobiografia, Joca Reiners Terron conta “uma história em pane”, de um presente contínuo preenchido de esquecimento, estranheza e violência

Foto: Rafael Roncato

Numa ponta da história, no passado, está a irmã do filósofo Friedrich Nietzsche, Elisabeth Förster, e seu projeto de criar uma colônia ariana no Chaco paraguaio, em fins do século 19; na outra, no futuro, está Joca Reiners Terron, descendente de alemães, e a ideia de escrever sua “autobiografia”. …


Na Trilogia do Adeus, João Anzanello Carrascoza cria uma saga polifônica familiar partindo do romance Caderno de um Ausente, em que um pai cinquentão escreve uma longa carta endereçada à filha no futuro

Foto: Adriana Vichi

Começou em 2014, quando João Anzanello Carrascoza publicou Caderno de um Ausente — romance epistolar em que um pai, João, escreve uma longa carta para a filha recém-nascida, Bia. Já na casa dos 50, o pai temporão deixa o registro para o momento em que, num futuro não muito distante, ele não já estiver presente na vida dela. …

Almir de Freitas

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