Amor

Me irrita muito o jeito de as pessoas exigirem que você goste do jeito de elas gostarem apenas do que estão vendo, entende?
Eu não costumo escrever muito sobre o amor, porque só se ama o que se vê enquanto NINGUÉM consegue enxergar o que você está vendo. O amor é relativo, rede sociais mostram isso. É muito fácil amar atributos visíveis. Qualquer pessoa numa balada consegue fazer isso.

Pra mim, amor é aquilo que a pessoa FAZ VOCÊ ENXERGAR em si mesmo, que você nem via. E ao mesmo tempo, é o que de bom emerge em você a ponto de enxergar o que de bom existe no outro e que ela nem vê. É um paradoxo. 
 Você nunca se perguntou o porquê de não ter uma explicação fixa palpável do que seria o mais próximo do amor? É sempre subjetivo. Então, o paradoxo ganha forma.

Quem ama, odeia o que está errado, por querer mudar isso. Como escrevi em um poema meu, chamado “ME ODEIE”:

“Você ama quem odeia por isso se preocupa em querer mudar a vida alheia. Por isso, saiba de uma coisa: Admita que ama odiar quem você ama. Admita que ama cuidar de quem a princípio odeia. Eu sei que se confunde, eu sei. Mas eu sei que você me odeia”

Logo, quem odeia também ama. Se eu odeio algo em mim, é porque quero mudar isso, e, por isso, no fundo, no fundo, eu quero amar o que tenho que conviver pro resto da minha vida. No caso, a minha vida.

Vivemos num século de amores de dois segundos. De falta de amor pelo duradouro. Isso não importa mais…O que importa é ser fútil. Tá na moda, tá na TV. Então, se tá na TV, é o certo a se fazer, como sempre foi. Tenho pena de escravos televisivos;

Mas o que eu quero com esse texto é salientar: Têm pessoas que eu conheço pouco e que me fez e faz enxergar coisas boas no meio de tanto lixo mental, que é a minha cabeça, e têm outras que conheço basicamente a vida inteira e me faz sentir um lixo por jogar em cima de mim alguma coisa que eu tenha dito há séculos:

“Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim” Russo, Renato- Andrea Doria

O amor é o metafórico que ganha forma, é a forma que ganha metáfora. É, como citei antes, um paradoxo. O amor sou eu, você, aquela pessoa que você não suporta por ser chata, o padeiro, o porteiro, todo mundo. O amor somos nós, e ao mesmo tempo, ninguém. O amor não existe. Nós existimos. Atitudes existem. Opressões é uma das piores delas. O amor é o avesso a isso. Não é arbitrário, juiz, juri, réu. Talvez o amor esteja no céu. Ou não. Talvez esteja no chão, ou sim. Talvez não esteja em mim, ou talvez nem eu mesmo esteja. O amor é o amor, e somente isso. Nada mais. O tempo que você está gastando lendo isso, existe amor em algo. Talvez não em exista em SP, no criolo, no povo que vota, na nota que corrompe. Não existe. Aí você quer que eu escreva sobre o amor como esses cantores sertanejos? Não. Muito previsível. Muito VISÍVEL. Odeio o visível.

O amor é o fim desse texto. É o café que você toma e gosta. O amor é gostar muito. O amor é o “odiar falar de amor”, pois o que importa é vivê-lo. Eu ainda não tenho honra o suficiente para senti-lo, não me sinto suficientemente razoável para sentir. Mas enfim.

O amor é isso aí. Não tem muita bula, não;

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