Apenas um véu

A Long Way
Jul 25, 2017 · 2 min read

Como uma dança meio fora do ritmo eu me pego vivendo alguns momentos da vida. Como meus olhos estão críticos aos críticos (que hipócrita que isso soa!), como minha dança está diferente dos ritmos tocados pelas pessoas que amo profundamente, mas que dentro dessa infinitude de afeto e amor, me pergunto se esse sentimento que trocamos e esse laço que estabelecemos com as pessoas, revelam nossa essência ou nossa “utopia da alma”.

Sabe, costumam dizer que somos as três pessoas que mais convivemos, até porque, nossa identidade é revelada através das relações (ou humanas ou com o Pai), ta bom, até aí eu sei. Mas quando você se sente literalmente separada ou “aparte”, como se as dimensões físicas não fizessem diferença, então, estou literalmente falando das dimensões espirituais, ou “abstratas”, em um modo racional de falar.

Até que eu li algo e fez todo sentido pra mim. Quando Deus materializa o sentido de separação, ele coloca um véu no tabernáculo e no templo, mostrando que a separação não está na distância dos objetos envolvidos, mas sim na intransponibilidade. Cheguei no meu ponto. Então me enxerguei literalmente dentro, parte, capaz de perceber Deus, apreciar a graça de Deus nas pessoas e na natureza, mas incapaz de manter o relacionamento “palpável”, íntimo, tanto com as pessoas quanto com o Pai. É estar perto, sem estar próximo.

Entendo que para transpor, para rasgar esse véu e não só aprecia-lo mas sentir a intimidade e a proximidade, preciso me renovar diariamente pelo entendimento e conhecimento, e ser movida pela convicção que Deus já é meu Pai, já é meu amigo, e que toda sua graça revelada que eu vejo, eu posso sentir, e que eu sou parte e sou canal (isso soa prepotência, mas está escrito).

E para as pessoas.. ah eu tenho um gozo gigante pelas relações, pelas amizades, pelo amor, pela graça das diferentes personalidades que convivo, pelo partilhar momentos. Acho que a ausência mesmo, é de viver essas (algumas) relações de forma transcendental, de forma que além de ouvir, fazer rir e cuidar, eu me permita ser entendida, ser “aprofundada” (irc, odeio como isso soa, parece mais uma invasão), mas sim, há ausência de permissividade de partilhamento de coisas ocultas. Mas será mesmo que é necessário?

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    A simplicidade da graça é desconcertante.

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