Paisagens desconhecidas

Quero respirar o ar de um novo lar
E avistar outras colinas
Que conspirariam contra o que já vi

Eram 9h da manhã. Ansiedade, medo, alegria, gratidão e… sede. Caramba! errei o horário do voo. (novidade né?). Correria, malas, check in e, ausência do meu pai na despedida pela minha lerdeza de horário errado. (Ele havia anotado tudo uma semana para me levar com 2h de antecedência).

Na sala de embarque, celular toca:

“Bizuca do pai, tô aqui fora, como eu ia te deixar ir sem meu beijo?

Cena de filme. Corri igual uma criança pro meu abraço de conforto, de segurança e de amor sem fim. Lágrimas, gratidão e privilégio. (Como meu pai consegue me desmontar assim? Afinal, sou a filha independente e segura, não?)

Chegada. CARALHO, to vivendo meu sonho, obrigada Pai!

A rotina de aula começa. Primeiro dia? Céu londrino cinzento, caminhada para a escola ao som de Oasis (típico né?),café aguado e bolinho de Nutella. E foram assim todos os dias da minha deliciosa rotina de vida londrina.

Cada dia era uma porrada de descoberta e de conhecimento de uma cultura maravilhosa. “Sorry”, rush, metrô, tombo, Mc, barulho, céu cinza, crianças fofas, homens belos, compras², risadas, ratas, Nutella, ronco, museu, vergonhas, foras, pubs, e em tudo, Deus.

Estava tudo belo, minha rotina maravilhosa de compras, risos, novos amigos, aulas, conhecimento, música e porn food. Então comecei a me silenciar pra ouvir e apreciar a graça de Deus mais detalhadamente, na caminhada solitária com meus “Arrais”, naquelas flores dos prédios cinzentos, nas nuvens desenhadas de um céu azul e nas músicas dos metrôs e ruas (ah essas músicas…).

Comecei a me perguntar se aquela cultura londrina de pessoas tão libertas de interesse na vida alheia era somente a “evolução” e a ausência do “olhar torto”, ou o sentimento humano mais cravejado na natureza da nossa carne, individualismo e egoísmo.

Comecei a reparar meu comportamento, meus sentimentos e onde eu sentia a alegria do Pai. “Onde?” não é bem a palavra, descobri que era o “Quem?”. Comecei a perceber que onde eu estivesse, eu tinha o desejo de compartilhar, de viver o momento mas de ter ele vivido com alguém. Sempre era melhor com gente, com amigos, com a Thamara, com meu Whatsapp (pra mandar fotos pro meu melhor amigo/unsponken que estava vivendo aquilo cmg). Claro que os momentos sozinha no parque com meu livro e minhas músicas eram extremamente importantes para minha alma.

Vem de mansinho a brisa e me diz: É impossível ser feliz sozinho…

Irlanda. Momento único, amigo goiano, um pedacinho de casa, pub Ps: I love you, cidade musical, o que mais eu queria? Quanta graça de Deus impressa em cada prédio, cada história, cada museu, cada música Irish.

Na volta, solidão.

Thamara se foi, unspoken se afastou, saudade de “calor” aumentando, mas a cidade dos meus sonhos continuava ali, com o céu azul feito com a aquarela mais graciosa de Deus. A solidão passou a ser mais constante, o silêncio e os papos com Deus mais cheio de dúvidas.

França? Amor.

Pessoas frias na proporção da beleza e riqueza da história do país. Cada detalhe perfeito, cada prédio uma história, cada esquina uma grandeza. Amiga; conforto, riso solto,calor e … vazio?! (que merda é aquela, eu tava sentindo?). Cada dia era belo, cada paisagem um memória doce e gratidão pela graça de Deus. E no silêncio… faltava algo? Não estaria eu completa passando um tempo e sentindo somente o Pai?

Comecei a me perguntar se era carência ou revelação de identidade. Carência por querer se sentir amada e sentir a tão viciante sensação de “felicidade” ou, se minha identidade em Deus estava sendo mostrada divinamente pra mim através da saudade dos meus irmãos/amigos/família, e que preciso sim de pessoas.

Cheguei e a dúvida continuou, mesmo estando lá pra me buscar, (quase) todos que gostaria me esperando de braços abertos.

Domingo — Felicidade x Alegria

“A nossa alegria não poderá ser tirada. Felicidade é um vicio e uma emoção, alegria não, ela é um estado cristão e não tem a ver com satisfação, te a ver com contentamento. Ainda que não satisfeito, estou completo, em Cristo.” —Borges, Paulo.

Estou confundido felicidade com alegria?
Estou querendo ser feliz a custa das pessoas e dos relacionamentos?
Quando não sinto “A alegria”, estou me perdendo na vontade do Pai?
Obrigada por respirar um novo ar.. e Graça, te senti em cada Paisagem desconhecida.