Portas
“Nobody said it was easy”
Acordo com uma mensagem da Fran ( prima do meu ex), chorando e dizendo que precisava de me encontrar que a vida dela estava acabando. Porra, que susto! Marcamos de noite. (Há, eu já sabia que ela me ligaria, o marido dela me ligou há 2 dias contando o quão perturbada ela estava, e eu esperava essa ligação)
Foi como um soco no estômago, ouvir uma mulher de 38 anos com 2 filhos falar que cansou de ser mãe e esposa e que quer ser somente filha. Que cansou de viver acorrentada e que quer se libertar e ser livre. Quanta dor, era como se cada palavra que ela declarava eu sentisse a dor dela. Comecei a entender, ela não queria ser só, ela queria ser livre de correntes com memórias geradas do passado.
Pai doente, mãe esquizofrênica, irmã assassinada, irmão gay revoltado com o pai. Caramba! Quem sou eu pra falar algo pra ela, Pai? Por que diabos ela me ligou? Dentre várias amigas que eu aconselhei, sobre homem, sobre pai e mãe e sobre amizades, essa… essa amiga, eu estava totalmente nas mãos de Deus, minhas experiências e conselhos seriam totalmente guiados, afinal, 23 anos, solteira e vida comum, sem grandes dores.
A visão que temos das nossa vidas é gerada pelo o que vivemos e o que armazenamos, o quão isso nos afetou, qual a importância e a relevância das memórias que foram geradas a partir das experiências vividas. Então quando acontece um “gatilho”, como a doença de um pai, e esse gatilho gera a abertura de uma dessas portas “assassinas” mal resolvidas ou muito densas, começamos a nos apegar tanto a tensão a escuridão dessa porta, que entramos nela e vemos a vida na perspectiva do sentimento gerado por ela, bloqueando o acesso a outras formas ou outras janelas, fazendo com que nos tornemos prisioneiros dentro de nós mesmos, nos fazendo incapaz de enxergar a vida de outro ângulo.
A fuga de nós mesmo no presente, ou de família, amigos, responsabilidades está sendo gerado por algo aberto mal resolvido, ou mal entendido dentro de nós, que o nosso Eu no Pai não foi capaz ainda de lidar. Como pode uma mãe querer negar o filho e retroceder os passos na vida e se tornar uma menina sem responsabilidades?
Medo? Essa escuridão que ela está vivendo está a sufocando e deixando cega ao ponto de a acorrentar ao sentimento gerado por essa porta de dor e querer ser cuidada e não cuidadora? Mãe e não filha? Menina e não mulher? Solteira e não esposa?
Educada nos melhores colégios, dentro de igreja e da “religião”, dinheiro em excesso e pessoas demais ao redor. Educação não faltou, ensino e dados do mundo que habitam não faltou, mas quem á ensinou sobre o mundo que ela é e que ela pode ser? Quem a ajudou a ver a graça e a riqueza na simplicidade e não no luxo? O papel da família, que ausente, não foi suprido pela igreja, que “deve” ajudar e ensinar quem somos ou como descobrir a nossa identidade em Cristo na Terra?
Ei, podemos ser meninas sendo mulheres, podemos ser mãe continuando sendo filhas, podemos viver a liberdade do “eu” sendo esposa! É tudo uma questão de enxergar com outros olhos! Não precisamos viver na perspectiva da dor gerada por um passado, isso machuca mas pode-se redescobrir o sentindo dessa dor. Não se sinta sufocada e afogada com memórias ruins, como se sua vida tivesse sido pautada por elas. Sê valente, mulher, abra os olhos pra beleza do mundo!
Afinal, estamos deixando nossas janelas escuras definir quem seremos e nos acorrentando ás dores vividas?
