femme sapiens

ela cozinha

ela lava as suas roupas

aquelas manchadas

com fluidos estranhos

vermelhos

roxos

brancos

amarelos

empedrados

ela louca chega do trabalho

buscando afeto

buscando toque

buscando sexo

buscando rédeas

para espelho, se despe

para si mesma

devagar

saboreando

a delícia de ser mulher

a delícia da falta de atração

a delícia do autocontrole

e, pela primeira vez, se reconhece

os seios pequenos

os pelos que crescem

mas continua linda

jovem

macia

curva

jovem

jovem

jovem…

jovem?

deve aproveitar

antes que tudo seque

antes que tudo caia

antes que comece a evitar o tempo

mas não tem sexo

mas não tem homem

mas não tem plateia

mas não tem amiga

mas tem celular

e tem câmera

click, nunca tinha feito isso

click, sempre julgou quem fazia

click, mas não é que fica bom?

o inflamado

o alterado

o deprimido

dormente dentro de si

nem sentia, só aumentava

com as noites

sozinha

nua

debaixo do lençol

os dedos bobos

brincando

simulando

deixando

tremendo

mas ainda sem êxito

e por isso sem prazer

ela não pode fugir.