inferno

“você quer ver o demônio? deixa que eu te mostro”

ela o levantou pelos cabelos. ele se movimentava de um lado para outro tentando se soltar, mas o aperto era muito forte.

suas mãos amarradas o deixavam impotente diante da situação.

tentando ludibriá-la, ele para de caminhar e retira totalmente a força de suas pernas.

antes de cair no chão, o aperto no seu cabelo fica mais firme ainda e ele pode sentir alguns fios se despedindo do seu couro cabeludo.

a força da mulher era descomunal, ele não podia fugir.

ela levou o corpo daquele homem cujas pernas já pareciam não ter mais vida até uma câmara no fundo do corredor.

era um breu. escuro total.o local parecia úmido e apertado, faltava-lhe ar puro.

ele fechou os olhos, esperando o pior.

sentiu um líquido quente invadindo suas calças.

clic.

não ouviu mais nada, mas ainda sentia o aperto em seus cabelos.

abriu os olhos lentamente, temendo que a sua sequestradora tenha perdido a consciência de alguma maneira.

mas se enganou.

ela estava lá, aguardando pacientemente que ele se recuperasse de seu tremendo cagaço.

nunca tinha se mostrado tão vulnerável a uma mulher como naquele momento.

e ela parecia saber disso.

um leve sorriso surgia lentamente de seu rosto, era como se um sentimento de compaixão viesse à tona entre aquelas quatro paredes apertadas.

e então ela finalmente balbuciou:

“pode olhar”

ele não sabia sobre o que ela estava falando.

“olha, bem ali.” ela direcionou o seu olhar ao espelho encardido e enferrujado que se encontrava atrás de seu ombro.

e então ele olhou.

“taí. esse é o demônio que você tava procurando.”

e então não viu mais nada.