sozinha

"às vezes, quando criança, eu me escondia só para saber quanto tempo ia demorar para que sentissem minha falta. encontrava um banheiro, uma despensa, um armário escondido… ficava lá por minutos, horas até.

era uma vontade que vinha do nada, uma súbita busca pela verdade daquelas relações que eu estava vivendo. uma busca talvez pela dor e pela paz de estar sozinha. "

engraçado como a lena é muito parecida comigo. sempre fui sozinha. e isso sempre doeu. mas acabei acostumando.

quando fiquei junto, estranhei. foi um sonho por um bom tempo, mas era sufocante. socializar exige um grande esforço, sem dúvida.

o problema é que eu não me amava. não dava pra ficar sozinha com alguém que não se gosta. então doía. me sentia incompleta.

mas a completude vinha com seus sacrifícios. e não sabia se eu tinha como abrir mão da dor e do prazer da solidão.

"nunca soube muito bem como lidar com isso, esse sofrimento que chega de repente. e o mais engraçado é que nunca vi ninguém sofrer disso. de 'bad súbita'. é até ridículo.

às vezes, depois de um bom tempo no escuro do meu esconderijo, eu me perguntava como tinha chegado até ali. o que poderia me ter feito entrar neste estado mental tão negativo, tão profundo, para que eu quisesse correr de tudo?

algumas vezes eu nem me lembrava. minha mente já tinha passado por tantos lugares que já havia esquecido o que sentira antes. por isso eu julgava aquele sentimento como desimportante.

afinal, se fosse realmente verdadeiro, ele deveria perdurar, não?

então… não sei.

a essa hora minha mente já está uma confusão.

sabe-se lá o que eu possa fazer num desses momentos de desespero?"

às vezes poderia ser apenas uma vontade súbita de escapar, de descobrir o mundo. do seu jeito.

do jeito que só você vai saber e vai querer. 
sozinha.