Olá, querida. Hoje pensei em você. 
Mais uma vez.

Por isso queria escrever algo. Apesar de não saber qual seria o melhor lugar para começar.

Talvez, comece pedindo perdão por me entregar a essa idealização que tenho de ti, e que me faz tão bem ao mesmo tempo em que me destrói. Pode ser que, no mínimo, você tenha uma vaga ideia do que é sentir essa confusão por alguém, será que tem? Será que já sentiu algo próximo disso? Com certeza por outra pessoa. Alguém mais velho que eu, mais experiente, alguém que te correspondeu?

Espero que se, alguma vez, já tiver estado numa situação no mínimo próxima da minha, tenha conseguido romper com as correntes do seu coração. Às vezes me sinto assim, sabe? Presa, acorrentada à um personagem fictício baseado numa pessoa real. É doloroso, talvez até não seja sadio, mas é tão difícil escapar… Principalmente quando há uma voz alertando que se eu me desfizer dessa ilusão não sentirei nada… O que seria melhor? Ter a sensação de que seu coração está sendo esmagado a todo o momento ou simplesmente não sentir nada?

Dá para perceber que sou uma garota com nada além de questionamentos na mente. Dizem que a pergunta é mais importante do que a resposta, mas por vezes uma resposta viria à calhar, talvez até aliviasse a inquietude da minha alma. Talvez. Até minhas afirmações são carregadas de dúvidas, incertezas, inseguranças. É, isso é uma droga.

Mesmo que eu admita que essa confusão que sinto por você não seja culpa minha, me sinto culpada. Às vezes tudo parece tão errado… Mas por alguns momentos penso que tudo isso é realmente único. Tenho mania de gostar do inalcançável (acho que copiei essa frase de alguém), você não é a primeira mas com certeza é diferente. E eu mais uma vez me preencho de perguntas. Por que por ti? Por que as coisas não voltam ao seu estado anterior? Tudo estava tão calmo, e agora há dias em que a agitação me afeta. E a causa dela é alguém de outro universo. Tão distante. Tão ausente.

Hoje vejo minha relação platônica contigo de uma forma diferente da que via nos primeiros meses. O nervosismo já não me afeta, e um fantasma seu já se tornou ordinário em meio aos meus sonhos e pensamentos. Mas mesmo assim, uma inclinação por você ainda permanece e confesso que frequentemente penso na delícia que deve ser pertencer ao seu grupo de amigos. Não sei se esse repentino afeto teve a intensidade reduzida ou se ele apenas se transformou em algo mais sútil e agradável.

Sei que vai chegar um momento em que não te verei andando por aí com frequência (já não te vejo tanto e verei ainda menos), sei que teus planos serão realizados em outros lugares distintos dos que escolherei para mim, sei que teu coração acelerará por outro alguém (se já não acelera) e que sentirá um arrepio percorrer teu corpo quando a música que te lembrar esse alguém tocar por aí. Você vai continuar vivendo sua vida independente da tola garota que te teve presente nos sonhos dela, e eu seguirei com a minha numa busca incessante por equilíbrio emocional e felicidade sem tua imagem nos meus pensamentos.

Esse texto parece uma carta, não?

Talvez seja mesmo uma carta. Uma carta de despedida, onde digo adeus à angustia silenciosa relacionada ao seu nome ao mesmo tempo em que lentamente me despeço de você.

Parece que nossos caminhos foram traçados num paralelo que se distanciará ainda mais em alguns meses. Mas tudo bem, não? Eu serei a única a sentir falta das tentativas de te observar a metros de distância.

Por fim, só sinto uma vontade de te agradecer pelo doce desse sentimento agridoce que você despertou em mim. Guardarei essa sensação num lugar especial de minha memória enquanto tento lidar com o lado acre de tudo isso.

Infelizmente, a consequência de um amor platônico irrealizável vem logo após a doçura da mistura de sentimentos incompreensíveis, ela vem na forma de um sabor amargo na boca que deve permanecer por um bom tempo até que finalmente se perca com o tempo, e se torne insípido.

A partir daí, sei que serei penetrada por uma suave ignorância de sua existência, semelhante àquela que tens da minha.

A partir daí, não precisarei mais de cartas, questionamentos, respostas...

Depois de tanto tempo, conseguirei finalmente não pensar em você.