A vida como ela Elvis

Tomara que eu não morra assim, de repente. Quem vai me cantar? Quem vai me querer bem? Quem vai me gavar? Porque eu não. Estarei frio e indiferente, o contrário de hoje e igual a muita gente agora.

Hoje se foi o Luiz Melodia, um cara que nunca vi ao vivo, nunca conversei, eu que já fui cumprimentado por David Bowie (já contei aqui) e que tive um pedido de ninguém menos que Hermeto Pascoal para tirar um foto comigo (depois conto o enredo). Mas a obra do Melodia marcou uma fase da minha vida, principalmente o seu primeiro disco, que fui conhecer 20 anos depois de lançado, quando eu tinha 20 anos. Foi uma fase sofrida, como um road movie mexicano ou um curta do Chaplin ou outra coisa.

Era muita poesia, muita voz, muita sonzera num disco só, coisa de assustar um poetinha canhestro e de invadir a vida da gente feito fosse a vida dele. Esse é o lance da arte: ser o adaptador, ser o transliterador das realidades. Sei lá onde fica o Estácio, mas se alguém quer matar-me de amor, que seja lá, a gente canta e pensa que tá nas quebradas do Rio de Janeiro. A arte nos multiplica, e a arte do Luiz Melodia fez isso muito bem.

Preciso compor mais, preciso falar mais com os amigos, ser melhor com todo mundo. A gente não sabe quando o tempo vai acabar ou quando os queridos de perto ou de longe partirão de vez, é triste lembrar de alguém só depois que é impossível que ele saiba disso. É preciso ser bom com todos, cantar o belo, com todo o coração possível. Pois nunca se sabe qual será o último por do pôr-do-sol que vai renovar, brilhar de novo o seu sorriso, cheio de Melodia.