Ser o “não-ser”?

Depois do advento do Google, a sabedoria se tornou obsoleta. O que “vale” é informação. Todo mundo hoje “sabe” tudo. Tudo e mais um palco.

Você diz: rapaz, ontem aconteceu tal coisa na rua e… Imediatamente, fulano: “vi na internet um vídeo…”. E pronto, o cara é um expert naquilo ali que você nem terminou de falar e que só era o gancho pra outra coisa. Aí a conversa vai pra lugares nunca dantes navegados, como algumas buscas na web.

Começa procurando informação sobre como fazer uma mesa de madeira maciça (sim, sim, estou fazendo finalmente aquele curso de marcenaria) e quando vê já se passaram duas horas e você está lendo sobre tardígrados, não sem antes ter passado por similaridades entre Pixinguinha e Charlie Parker, como são formados os wormholes, por que a Yoko Ono é persona non grata em Liverpool e como Hamlet está ultrapassado desde agosto de 2015…

Mas o sujestivo título (sim, é um “neo”logismo tosco) tem a ver com isso tudo sim, de uma maneira menos difusa até. Ninguém, quase, é o que parece (vide os perfis fakes e personalidades idem), nem é qualquer coisa que não uma fluida gosma de nadas, um mix de irreconhecíveis, ou indisfarçáveis, remakes, de referências dentro de incontáveis digressões que (não) significam coisa alguma.

É preciso ser, o bardo sabia. Não li Shakespeare no original. Acho que vou dar um Google pra ver…