Gangorra

Gangorra é um brinquedo que eu sempre detestei. Me dava muita aflição, porque se eu saísse bruscamente, podia machucar o amiguinho. Se ele saísse bruscamente, ele podia me machucar, e era maravilhosa, quando ela chegava naquele louco equilíbrio em que eu e o amiguinho ficávamos no mesmo nível. 
Meio louco quando eu percebo que nós dois estamos numa gangorra, num louco parquinho da vida. A gente se divertiu nos balanços, e voou juntos, subimos no trepa-trepa, e descemos no escorregador. E agora, estamos na gangorra. 
E a gente oscilou nessa gangorra, primeiro você foi no alto, depois eu, depois você e depois eu. A grande merda é que não chegamos num equilíbrio, ou seja, a gente não tá se entendendo, pra saber se vamos sair juntos, ou se eu saio e te deixo no alto, ou se você vai esperar eu chegar no alto de novo, e sair, e eu que vou cair. 
A gente até brinca com outras pessoas, mas sempre volta pra gangorra, e por mais que eu deteste, você é o único que ainda me faz suportar gangorras. Só que, eu amo o balanço, então, sei lá, a gente pode equilibrar isso logo, e voar juntos? Antes que um de nós caía e se machuque de verdade?
 E por favor, que a gente faça isso logo, porque se um de nós largar o outro pra se machucar, a gente nunca mais vai poder brincar de novo.

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