20 filmes que vi em 17

2017 terminou como o ano que mais vi produções audiovisuais, foram um pouco mais de 230 entre longas, médias, curtas, documentários, separei nessa lista. 20 filmes que vi e recomendo. Tentei botar em caixinhas, mas existem alguns casos que tive que… criar as caixinhas e outros em que nem criando caixinha dava jeito. Fiz alguns comentários, destaquei cenas ou falas, mas acho que não são spoilers. Enfim, vejam isso aí.

1 — O melhor: Dunkirk (2017)

Dunkirk é o filme que eu sempre esperei que Christopher Nolan fizesse. Imersivo como Interestelar e Inception mas sem o didatismo exagerado que marcaram essas obras. O filme é sobremedida espetacular por conseguir, com pouquíssimas falas te dar todo o contexto e, mesmo sem você ver o inimigo sentir a real ameaça. Há quem não gostou pelo fato do filme não ter um grande roteiro ou desenvolvimento de personagens, mas isso, a meu ver, exalta ainda mais algumas características: Não há indiviualidade, não há organização. Apenas a vontade soberana de sair daquele meio. Filmaço, assista, mas… não será a mesma coisa do que ter visto no cinema.

2 — O mais bonito: Blade Runner 2049(2017)

Blade Runner é mais um masterpiece do mitológico Roger Deakins, um dos mais consagrados diretores de fotografia do nosso tempo. O uso de luzes com efeitos neon na cidade e a cobertura nas locações mais afastadas são parte de um espetáculo bastante ousado que é esta obra. Além disso o filme traz algumas das cenas mais inventivas usando as possibilidades de tecnologia.

Ana de Armas em Blade Runner 2049 e a pergunta: o que define humanidade?

Um momento: a cena de sexo

3 — Um clássico: Shane (1953)

Meu pai é um grande fã de filmes de cowboy, esse ano numa segunda Shane (os Brutos também amam) passou no TC e, eu corrigi esse desvio de nunca ter visto. É muito curioso ver os filmes de cowboy da década de 50 com os que vieram na década seguinte, especialmente pós spaghetti western. A linha entre bem e mal está claramente dividida, o herói, seguindo uma jornada de tentar mudar de vida quer se manter longe de problemas, mas não consegue fugir da sua própria natureza. Delicioso.

A estética do technicolor é muito característica

Um momento: “Diga a sua mãe que agora não existem mais armas no vale”

4 — Uma surpresa: Logan (2017)

Shane e Logan compartilham muita coisa, não por acaso, o filme da década de 50 passa na TV enquanto Laura e Xavier descansam e, mais para o fim do filme temos uma de suas frases mais icônicas citadas. Logan é o filme de herói mais visceral e mais diferente, abre muitos caminhos para um gênero que nos últimos 10 anos ganhou o grande palco dos blockbusters mas precisa encontrar novos caminhos para continuar sendo a grande vaca leiteira que se espera. Temos aqui uma obra com toques de faroeste, road movie e noir, o próprio diretor disse que uma das referências foi… pequena miss sunshine e abstraindo um pouco, faz sentindo.

Tem algum outro super herói barbudo?

Um momento: A primeira cena de luta com Laura.

5 — Uma animação: Festa no céu (2014)

Fiquei em dúvida entre “The book of life”, “Kubo and the two strings” e “La Tortue Rouge”, Kubo certamente é um filme melhor, mas The book of life tem uma série de aspectos que ganham meu coração. Primeiro, o fato de ser uma visita a um mito clássico (Orfeu e Eurídice) numa versão bastante estilizada, segundo, por evocar uma das minhas óperas preferidas (Carmen), terceiro, por conseguir em tão pouco tempo arrastar uma história densa sobre herança cultural, família, masculinidade, sem ter um tom professoral.

La Muerte e Sibalba, as figuras do submundo na mitologia apresentada por The Book of Life

Um momento: The Apology Song

6- Um terror: Raw (2017)

Eu iria escolher Get Out! mas preferi falar sobre Raw! Um horror mais psicológico, dirigido e protagonizado por mulheres, e que incorpora aspectos diferentes dos que vemos mais tradicionalmente no cinema de Hollywood (o filme é Francês/Belga). O desenrolar da história é tenso e as descobertas que fazemos seguindo a protagonista vão nos levando a um estado bem perturbador

O lanchinho teve bom

Uma lição: coma todos os vegetais.

7- Um filme de bons diálogos: As pontes de Madison (1995)

Esse lugar seria um lock para Um limite entre nós, se eu estivesse falando apenas de filmes recentes. Revi as pontes de Madison semana passada e o filme elevou o meu espírito. A construção do interesse amoroso é das mais genuínas costurada ao longo de quase quarenta minutos de um longo dia vivido entre os dois protagonistas. Clint Eastwood demonstrava o refinamento que ajudou a consagrá-lo também como um grande diretor, enquanto Meryl Streep conseguia com seus menores gestos e sem nenhum trejeito exagerado te fazer conhecer Francesca, uma italiana solitária que vê naquele repórter fotográfico e em quatro dias uma chance de fugir da sua rotina, do seu casamento de tudo que ela sonhou e não realizou.

5 Oscars em uma foto.

Uma fala: “Os sonhos antigos foram bons sonhos. Não se realizaram, mas foi bom tê-los”

8–Um filme de herói: Mulher Maravilha (2017)

O universo cinematográfico da DC até agora é um fracasso, a falta de um showrunner é um problema grave. A tentativa de aproximar-se da Marvel em termos de tom também me parece um tiro ruim de uma companhia que tem heróis mais densos, complexos e vilões bem mais interessantes. Problemas a parte, mulher maravilha sobressai a este mar de mediocridade, com uma origem bem construída e uma evolução sólida ao longo do filme, a história se perde um pouco no terceiro ato, o que não é uma exclusividade de WW no nicho de filmes de herói, Gal Gadot não é exatamente uma grande atriz e tampouco tem o físico que a mulher maravilha ostenta nos quadrinhos, mas tudo bem. A primeira heroína do cinema demorou demais para chegar, e chegou bem como precisava.

Mulher maravilha sai da trincheira e começa a salvar o Universo Cinematográfico da DC

Um momento: Mulher maravilha emerge da trincheira pela primeira vez.

9 — Um filme de amor: Paterson (2016)

Paterson é um filme sobre a rotina de um casal, ele é motorista de onibus, ela é dona de casa e está querendo fazer cupcakes, eles tem um cachorro, ele escreve poesia, ela é apaixonada por pintar e cantar. Eles se amam e existe tanta beleza nessa rotina que o coração transborda. Não existe nenhuma grande declaração de amor direta, mas é um sentimento palpável, esqueça suspiros, pense em pequenos gestos e uma rotina que vale a pena ser vivida.

Relationship goals

Um momento: Todos os do casal acordando.

10 — Um filme nacional: Bingo, o rei das manhãs (2017)

De longe o melhor filme nacional em 17, bem escrito, bem dirigido, bem feito. Com um nível poucas vezes antes atingido no cinema nacional, uma história maravilhosa e um mergulho profundo na loucura da televisão dos anos 80. A performance do Vladimir Brichta é sensacional junto com outras grandes atuações como a da Leandra Leal. Tudo funciona nesse filme e mesmo o final um pouco apressado não tira os méritos de uma obra acima da média. Uma pena que pouca gente viu e muita gente tem preconceito com cinema nacional.

GREEEETCHEN

Um momento: a cena do restaurante.

11 — Um filme latino: Una mujer fantástica (2017)

O único filme latino na lista de 9 pré-selecionados ao Oscar de melhor filme estrangeiro é chileno. Num ano em que a questão da transexualidade ganhou as TVs no Brasil, Una mujer fantástica segue uma mulher trans (vivida por uma atriz transexual) que vivia uma vida feliz até um acontecimento trágico. O que se desenrola a partir daí é uma busca por respostas e um enfrentamento ao mundo que sempre a rejeitou. Filmaço, com grandes chances de chegar entre os 5 indicados para o Oscar de melhor filme estrangeiro e eu não ficaria surpreso se Daniela Vega conseguir uma vaga na lista do prêmio de melhor atriz.

devolve meu cachorro

Um momento: a cena final

12 — Um documentário: Santiago (2007)

Esse ano voltei a assistir documentários depois de muito tempo. Resolvi destacar um documentário brasileiro. Santiago é sobre o próprio processo de fazer um documentário, é sobre a memória de família, é sobre confrontar-se. Vi esse filme novamente no objetivo de me preparar para assistir o novo filme do documentarista, No intenso agora (2017) por fim, acabei não assistindo o novo, mas Santiago é uma tacada certeira e um dos melhores documentários produzidos em um país que faz ótimos filmes do gênero.

Objeto do filme ou funcionário da família?

Um momento: A conclusão do diretor

13- Um filme divertido: Um homem chamado Ove (2016)

O filme sueco indicado a dois Oscar em fevereiro não é exatamente uma comédia, mas é um filme sobre redescoberta do sentido da vida para alguém que já não via mais graça no existir. O filme toca a questão de imigração, relação de jovens e a terceira idade, depressão senil, sem ficar dramático, a relação que se constroi entre o personagem central e seus vizinhos vai quebrando barreiras e esquenta o nosso coração.

Aquele velhinho rabugento que todo mundo tem na família

Uma cena: Ove para de fazer uma coisa muito importante para reclamar de seus novos vizinhos.

14 —Um filme sobre solidão: Lucky (2017)

Harry Dean Stanton aos 90 anos teve seu último ato com uma impressionante dignidade. Lucky é um filme sobre um homem de idade avançada que começa a lidar com o fato de que a morte é inevitável. Soma-se a isso o fato de que ele é um homem que nunca casou ou teve filhos, não tem família próxima e é ateu. A jornada de Lucky para aceitar o destino que vem sem sucumbir a ele é bastante bonita e mexeu bem comigo. Esse filme precisava estar na lista.

O que a gente faz perante o destino inexorável?

Uma cena: Lucky canta com os Mariachis

15 – Uma crítica interessante: Get Out! (2017)

Get Out! é um excelente filme de terror, daqueles que te segura até o grande momento e depois explode de uma maneira fenomenal. A atuação fenomenal do Daniel Kaluuya, que participou da primeira temporada de Black Mirror, é um destaque, junto com a história rica e a crítica menos caricata. A crítica ao comportamento do grupo que normalmente responde com “eu até tenho um amigo negro” é feita de uma forma muito sagaz. Fora isso o terceiro ato do filme entrega uma sequencia de cenas bastante gráficas que deixam os fãs de algo um pouco mais sanguinolento bastante felizes.

Fica tranquilo, meus pais votaram no Obama

Um momento: O terceiro ato

16 — Um filme eu (provavelmente) não vou ver de novo: Manchester à beira mar (2016)

Eu adoro dramas de sofrimento intenso. Manchester by the sea foi um prato cheio pra mim, mas eu não consigo ver esse filme de novo. Ver o desenrolar da vida de um homem destruído frente a uma tragédia familiar tendo que lidar com seu passado chega a beirar o insuportável, ainda mais em momentos como o maravilhoso diálogo entre o protagonista e a sua ex-mulher, a fantástica Michelle Williams.

A cena mais reconfortante desse filme é um enterro, pra você ver o nível

Um momento: o diálogo entre Lee e Randi

17 — Um filme com grandes personagens: Moonlight

Moonlight é um poema visual, feito com um cuidado visual que poucos filmes apresentaram na história. Aqui é notório o domínio do diretor sobre quem são os personagens, como filmá-los e apresentá-los ao público. O filme joga com a luz, o som, os olhares, os enquadramentos, os filtros, e faz a vida de Shiron parecer o sonho de futuro que ele deseja. Embora a performance mais incensada seja a do Maharshela Ali, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante, meu grande amor aqui são as personagens femininas, especialmente a Teresa, vivida pela Janelle Monaé. Existe nela uma cuidado e um carinho que me conquistou desde a primeira vez que ela aparece em quadro até a sua última menção em cena.

A variação dos filtros e o posicionamento de câmera como se fosse tirar uma foto chama muito a atenção, ênfase no olhar dos personagens.

Um momento: Juan leva Shiron para a praia

18 — Um feel good movie: Queen of Katwe (2016)

Aquele tipo de filme que conta uma grande vitória conta todas as perspectivas, ou pelo menos o primeiro passo dessa grande vitória. É isso que vemos em queen of Katwe, a história real de uma garota de uma das maiores favelas de Kampala, capital da Uganda, que descobre o xadrez e um talento extraordinário que a tornou uma das grandes jogadoras jovens do mundo ganhando o título de Women Candidate Master pela FIDE. Hoje, Phiona Mutesi tem 21 anos e estuda nos EUA. O filme em si é muito bacana, dirigido pela Mira Nair e com um elenco de peso à frente (David Oweloyo e Lupita Nyongo’o) é daqueles que dá calor no coração

Um momento: As crianças de Katwe vão disputar um campeonato importante em um colégio tradicional pela primeira vez.

19 — Um filme controverso: mother! (2017)

Aaronofsky é um diretor que trabalha muito sobre obsessão, já vimos isso em personagens de Pi, Requiem para um sonho, Cisne Negro, Noé e, o melhor de todos, o Lutador. Aqui a obsessão demora a aparecer e, e quando aparece, te derruba e te consome. Sendo um filme com uma forte influencia de histórias da Bíblia algum background ajuda a entender melhor o por que de alguns acontecimentos, mas mesmo assim, muita coisa parece um delírio da mente do diretor. O filme tem muitos méritos na parte técnica: a mixagem de som é primorosa, o que é ainda mais realçado pelo fato do filme ter prescindido de uma trilha sonora) e para os quatro primeiros personagens que aparecem em tela, e que são os que a ocupam por mais tempo. Em meus conhecidos esse filme despertou ódio, fúria, raiva, medo, horror, pânico. Assistir esse filme e ficar impassível não é factível.

Faça a sua teoria sobre o líquido amarelo

Uma frase: “I am I”

20 — Star Wars: The Last Jedi

Não há como colocar SW em uma caixinha, o episódio 8. Rian Johnson entregou o filme mais bonito, mais ousado, e, se tivesse feito alguns poucos ajustes, o melhor filme da saga. Entre naves espaciais que lutam com canhões de segunda guerra, projeções holográficas, e personagens que já conhecemos em “The Force Awakens” esse filme nos entrega uma nova jornada de herói para o querido Luke Skywalker, um homem destruído e atordoado pelo que viu. Nesse meio, Ryan Johnson entrega algo completamente diferente do que poderia se esperar, o que pode ter desagradado fãs Em muito, SW VIII é um filme sobre fracassar, sobre aceitar conselhos, sobre apoio mútuo e sobre olhar para o futuro.

A Sala do trono do Snoke, bem mais bonita do que qualquer coisa das duas trilogias anteriores

Uma frase: “Let the past die”

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