"Too old to rock n’ roll…"

Fonte: Wikipedia (Album do Jethro Tull)

Música sempre foi algo presente em minha vida. Desde minha infância, ao lado das minhas irmãs, ouvindo o que fazia sucesso no início dos anos 90, ou ao lado das fitas K-7 de música sertaneja que pairavam no comércio dos meus pais. Ou mesmo quando pré-adolescente, ao som do popular pagode (!!!) e pop/rock da era URV/Plano Real. Passando pela adolescência, metalhead em tempos de Napster e outros aplicativos de download P2P. Chegando a um ouvido mais adoçado pela música pop mais romântica dos tempos de namoro. Para desaguar em uma fase — a atual — onde o gosto musical é uma mistura de tudo isso e mais um pouco: Jazz, blues, rock, pop, música brasileira, infantil, world music, samba…

Acho que um pouco desta metamorfose do gosto musical vem do próprio amadurecimento, calcado em nossas experiências de vida. O que no passado era ouvido e quase vestido como estilo de vida hoje se torna um pouco enfadonho de se admitir ou mesmo dissonante da identidade que assumimos na vida adulta. Ora, qual o fã de metal low-profile de terno e gravata que nunca ganhou caras de espanto no almoço da empresa quando admitiu que curte Sepultura no carro? Ou simplesmente ocorre que a vida é embalada por notas sonoras diferentes à medida que novas experiências de vida são vividas. Namoros, casamentos, filhos, MBAs, malas prontas a ir para fora do País, uma viagem inesquecível…

Um outro tanto da mudança de como nos relacionamos com nossos artistas e discos favoritos, talvez, venha do papel que a música como arte tomou nos dias atuais. Hoje é mais fácil ouvir novos sons, a poucos cliques do app de um celular ou do computador, o que outrora só era permitido degustar algum CD em lojas de departamentos e o restante, somente comprando (a preço caro). E se antes muitos consumidores de discos haviam de parar e ouvir as bolachas de vinil (ou de laser) em um aparelho doméstico, hoje é tão rotineiro ligar o fone de ouvido e tocar uma playlist agitada para a academia.

Afinal, tudo isso é bom ou ruim? Me atrevo a dizer que isso é bom pois é sinal dos tempos atuais. Nunca foi tão fácil um artista independente se publicar em uma mídia. E ridiculamente simples de se ouvir de Miriam Makeba a Ghost B.C, passando por Seal, em poucos cliques sem torrar algum centena de reais. E, claro, para que cada momento da vida tenha seu significado, quiçá ao som de algo que conecte com o compasso da nossa alma.

*O título de disco/música do Jethro Tull. Mas no momento ouvindo Paper Gods, álbum mais recente do Duran Duran.

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