The Greatest Ballad No One Will Ever Dance To (ou Minhas Lágrimas Que Ninguém Nunca Secou)

Curiosamente as lacunas de texto do Medium têm por pré-texto a frase “Tell your story”. Durante anos, contar histórias foi a coisa que mais gostei de fazer. Contar histórias, aprender física e comer são provavelmente as coisas que me fazem mais amar a vida. Ultimamente, no entanto, não tenho tido uma boa história para contar… Muito pelo contrário.

Aliás, até tenho boas histórias, mas a minha impressão é de que ninguém se importa. Tenho um filme para escrever, mas sinto como se fosse um fracasso anunciado, um aborto ou natimorto que eu teimo em gestar. Tenho um livro, que nunca escrevi uma palavra, mas que com certeza seria uma grandessíssima bosta. Tenho músicas que não gravo por serem piores que as últimas que escrevi, e que já não eram boas o suficiente para serem gravadas.

Faz algo em torno de 2 anos que não consigo dormir. 2 anos que 4 horas de descanso é o máximo que consigo em uma noite, mesmo se apagar por 12. Mas nos últimos 50 dias, desde que meu avô foi internado, essa situação chegou a um novo estágio. Estou, literalmente, sem saber o que é realidade e o que é sonho, em muitas das minhas manhãs… Parece sacanagem, mas infelizmente não é.

Por último, mas não de obstante importância, terminei um relacionamento de praticamente 5 anos. Não existem detalhes a ser entrados aqui, mas aqueles que já passaram por situação semelhante sabem exatamente qual a conjuntura.

Dito tudo isso, minha ansiedade é ímpar. Não faço ideia de como lidar comigo mesmo no momento. Não faço ideia do que fazer com minhas ideias. Não faço ideia de para onde minha vida vai. Acho que finalmente desisti do Youtube, meio que sem contar a ninguém. Acho que odeio meu emprego, mesmo ele não sendo ruim. Acho que me cerco de pessoas fúteis e inconstantes simplesmente pela imprevisibilidade da vida que elas levam… Porque olhando para minha, eu sinto que consigo dizer de forma precisa aonde estarei nos próximos 10 anos. E isso não me agrada.

As rotinas me matam tanto quanto a falta delas. As pessoas me matam tanto quanto a falta delas. As vírgulas me matam, tanto quanto a falta delas. Me sinto um dramático, tendo certeza de que não queria viver um drama e sim uma comédia. Um misto de Jim Carrey em “O Brilho Eterno” e Robin Williams na vida real. Talvez me falte a genialidade. Talvez me falte a coragem. Talvez me falte Rivotril. Não sei ao certo. Sei que no momento, minha vida é uma eterna balada que ninguém nunca dançará, envolta em lágrimas que simplesmente não se secam, e a inércia me mata tanto quanto… Nada. Ela me mata de um jeito sofrido que só ela consegue. Nada como a falta de aceleração para fazer até quem se move em velocidade constante, se sentir parado.

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