Até o Último Homem

Crítica

Depois de “Paixão de Cristo” este é o melhor filme com temática cristã que assisto, pois levando em consideração as produções de filmes cristãos recentes é tudo a mesma coisa, filmes de baixo orçamento com direção e roteiro que deixa a desejar, além da própria mensagem que passam, produções que restringem o evangelho ao crente e não dialogam com o grande público de maneira plausível. Aqui em “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge), o ótimo diretor Mel Gibson (Coração Valente, Paixão de Cristo, Apocalypto), consegue ultrapassar a barreira do preconceito hollywoodiano com produções com essa temática, fazendo um filme de guerra da década de 40 com ideais e bases cristãs presente em seu protagonista, filme esse indicado a 6 Oscars, incluindo melhor filme, diretor e ator. Até o Último Homem vai contar a história real de Desmond T. Doss (Andrew Garfield) um médico do exercito considerado covarde pelos seus amigos por não tocar em armas, devido suas convicções cristãs. Doss foi considerado um herói guerra ao salvar 75 de seus amigos sem disparar um tiro na Batalha de Okinawa. O diretor consegue deixar bem claro a mensagem do longa na primeira cena com um plongée de corpos retalhados na tensão da guerra, e ao fundo recita a passagem bíblica presente em Isaías 40.28–31 que diz basicamente que aqueles que esperam no SENHOR renovam suas forças. Voam alto como águias; correm e não se fatigam, caminham e não se cansam. Essa é a convicção que faz Doss passar por todo seu sofrimento e humilhação em seu treinamento, além da batalha travada na corte marcial que pretendia expulsá-lo do batalhão. Gibson é muito competente em filmar cenas de batalhas campais e não deixar de lado toda a violência produzida nos confrontos, tanto que as cenas de Okinawa são recheadas de explosões, tiros e corpos mutilados de forma visceral aos olhos do público, mas o diferencial de sua produção é justamente a força de vontade do protagonista em ajudar as pessoas e se doar por elas. Em certo ponto podemos comparar o filme como uma espécie de “Paixão de Cristo na Guerra”, já que, Doss faz o papel daquele que foi humilhado, ferido e no final traz a redenção, tanto que a cena final é a pura analogia a Cristo no Calvário (cumprindo sua missão salvadora). Até o Último Homem é um filme obrigatório para todos, tem muitas lições edificantes e de fato libertadoras para a vida.

8/10 — ÓTIMO

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