O Regresso

Crítica

Alejandro González Iñárritu em sua versão mais próxima de Terrence Malick produz um filme contemplativo, que mais se assemelha a uma obra de arte que o próprio cinema do entretenimento. O diretor mexicano foi ousado em fazer uma produção com locações reais gravando nas montanhas geladas do Canadá e Argentina e submetendo sua equipe a temperaturas abaixo de zero. O longa é adaptado no romance “The Revenant: A Novel of Revenge”, de Michael Punke e narra a história do guarda de fronteira Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que liderava uma missão ao longo do rio Missouri, quando é atacado por um urso. À beira da morte, ele é deixado a deriva por Fitzgerald (Tom Hardy) na floresta, desobedecendo as ordens do capital Andrew Henry (Domhnall Gleeson ), no entanto, ele sobrevive e parte em busca de vingança. Desde o primeiro enquadramento no rio, podemos perceber que o filme vai se desenvolver por contrastes: Homem x Natureza, Civilizado x Selvagem, Branco x Índio, no melhor cinema de Malick e seu encantamento pela natureza. A fotografia natural (luz ambiente) de Emmanuel Lubezki é visceral, cinza como o tempo nevoso, alinhando os enquadramentos macro do ambiente e traduzindo toda uma sintonia artística rupestre do roteiro de Mark L. Smith e Iñárritu. O mexicano é um perito em planos sequência, fato este que destacou seu último trabalho (Birdman Ou (A inesperada virtude da ignorância), essa mesma técnica é exposta de forma concatenada e intervalar, mas com a mesma precisão, assim como sua câmera que envolve os personagens, sempre dando aquele giro 360º, combinado com contra-plongée. Nos momentos mais tensos da produção podemos sentir o efeito da trilha de Ryuichi Sakamoto como uma chamada indígena ao combate, entrando em ação a câmera nervosa de Iñárritu que sempre leva o espectador bem juntinho do embate. O desenvolvimento e a interpretação do personagem de Leonardo DiCaprio é um caso a parte, pois o ator consegue em meio a gemidos, gritos e grunhidos passar uma performance selvagem (principalmente quando baba), nem foi preciso um script com diálogos rebuscados para ele se destacar, seu gestual já diz tudo (Oscar). A cena do urso é frenética e brutal, assim como a naturalidade em usar um cavalo morto como cobertor, dando mais sentido ao devaneio dos flashbacks que o personagem sente em composições alinear. 
 Alejandro González Iñárritu não entrega um filme com “O Regresso”, mas uma composição sensorial como uma instalação artística contemporânea.

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