Domingos não são ruins, sua vida que é

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Quando chega o domingo, na fatídica tarde, quando começam os programas televisivos que parecem nos tragar a vida, que bebem nosso entusiasmo, esvaziando-nos de significado, é o momento ideal para se repensar a vida.

Sim, é no domingo, no final do dia, quase início de mais uma semana laboral, que as maiores reflexões existenciais devem ser realizadas. É nesse momento extremamente melancólico, de questionamentos sobre erros e acertos de minhas atitudes, que devo pensar sobre meu eu e meu cotidiano de atividades.

O domingo traz a tona aquilo que minha vida me mostra que está errado. A tristeza que sinto por mais uma semana que se inicia é a tristeza que sinto por estar vivendo a vida que estou vivendo. É essa vida, o que estou fazendo dela, minhas ações e pensamentos sobre e para ela, que tornam o domingo o dia ideal para o suicídio ou para a reflexão sobre o que e como mudar.

De qualquer maneira, a vida passará, seguirá em frente, novos domingos virão, acompanhados das segundas-feiras, e caberá a você decidir passar 24 horas maçantes ou torná-las boas de se viver. A vida não reconhece os domingos e muito menos as segundas-feiras. Ela passa, ela vive, ela pulsa.

Diga-se do domingo o que disser, ele é o responsável pela crise existencial que nos assola, às vezes, e que pode ser uma oportunidade de pensar, refletir. A segunda-feira, sequência do domingo, é criticada e quase excomungada por seu peso, por baixar ombros que dizem-se fortes, por destruir expectativas até dos mais otimistas. Por qual motivo, já sabemos: o domingo, este que nos avisa, semanalmente, sobre nossa existência, já havia mandado o recado: mude, porque outros como eu virão e serão piores.

Pare, um dia qualquer, mas principalmente no próximo domingo, e pense sobre isso. Não é o dia que está lhe matando de tédio, é a vida que você está levando; o trabalho que está desempenhando; as companhias com quem está passando seu tempo; os lugares que está frequentando; o curso que está estudando. Pare, no domingo, e pense sobre você inserido nele e na segunda-feira que virá. Faça as perguntas: “quero viver essa segunda-feira, fazendo o que estou fazendo, e viver muitas outras da mesma maneira?” e “o que está faltando em minha vida para que esse domingo não seja o portador de meu tédio?”.

Não posso garantir um total sucesso, já que sua vida é de responsabilidade sua, obviamente, e cabe a você pensar sobre ela e verificar os pontos que lhe desagradam e aqueles que lhe fazem bem. Porém, posso garantir duas coisas: os domingos, se bem vividos, assim como as segundas-feiras, serão “apenas mais um dia” na sequência de dias bons que estarão por vir, se sua vida for boa, claro; e sua vida passará, independentemente se seus domingos são tediosos ou não, portanto, é melhor que sejam agradáveis e lhe passem a sensação de ser mais um dia como outro dia bom qualquer.