Para que (e a quem) serve o atual jornalismo de games brasileiro?
Felipe Pepe
80056

Achei as indagações e questionamentos muito pertinentes como várias pessoas já comentaram. Algumas observações:

- Não sei se você conhece o trabalho do Marcus Garrett, mas ele escreveu dois livros sobre a história dos primeiros consoles no Brasil que foram vendidos em versão física. Os livros ganharam alguns complementos e viraram um livrão que foi rediagramado e foi disponibilizado para download. No primeiro deles, o Garrett fala sobre a Reserva de Mercado. Há um certo tempo ele também está fazendo um documentário em vídeo sobre o tema e muito provavelmente essa questão vai ser abordada.

https://www.yumpu.com/pt/document/view/57128461/1983-1984-marcus-garrett

https://www.kickante.com.br/campanhas/1983-o-ano-dos-videogames-no-brasil

- Quando comecei a participar mais ativamente da revista OLD!Gamer eu tinha a ideia de explorar jogos e séries menos populares, imaginando que o público compartilharia desse interesse pelo obscuro/desconhecido. Porém, quando eu ainda tinha paciência para acompanhar os comentários nos fóruns e sites ficava claro que a maioria dos leitores estava disposta a comprar a revista principalmente pela nostalgia. Ficava muito feliz quando lia alguém dizendo algo como: “não importa o jogo, só façam matérias boas”, mas via muitos comentários assim: “para que falar dessa série obscura se essa série popular é melhor”, “falar de um console fracassado só mostra o quão fracassada é a revista” etc.

O que me deixava surpreso é que as pessoas não se interessavam nem mesmo por jogos obscuros de consoles populares que elas tiveram, como SNES e Mega Drive, o que dirá então sistemas obscuros por aqui, como o citado Apple II e outros computadores como o Commodore 64 e o ZX Spectrum. Até mesmo jogos de PC pareciam não empolgar muito, com comentários sem sentido, citando que o jogo de PC em questão não tinha carisma. Com o passar do tempo buscamos equilibrar melhor com alguns jogos mais populares, até porque não era possível falar de tudo por falta de espaço. Mesmo assim, deu para falar de muitos jogos menos badalados. Com isso, não quero responsabilizar o público nem me isentar da culpa, já que gostaria e deveria ter feito tantas outras matérias quando a revista ainda existia.

- Nesta época imediatista, em que as pessoas parecem ser completamente obcecadas em eleger qual é o “jogo do ano” desde o dia 1 de janeiro, realmente são poucos que se interessam, se animam ou se sentem motivados a conhecer as origens de séries famosas da atualidade, como o caso de Elder Scrolls que você citou, e que podemos estender a outros jogos, como Persona. Por isso, é tão raro ver algo que não esteja na superfície como você falou.

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