Leia se já teve seu coração partido.

(Atenção: Leia este texto ao som de alguma música dos Beatles)

Você me revirou do avesso. Eu te contei todos os meus segredos,eu chorei no teu colo e sorri no teu abraço. Logo eu. Que falo pelos cotovelos, mas raramente revelo o que me dói,e faço questão de esconder minhas tristezas. Te disse tanto, te mostrei tanto. Ultrapassei meus próprios limites de entrega a alguém. Logo eu. Destemida, forte. Sempre teorizando e poetizando sobre o amor, não tive palavras quando ele enfim me encontrou. Me vi desmontada em mil, incapaz de frear meus sentimentos e desacelerar meu coração. Na minha instintiva intensidade, corri na tua velocidade. Afinal, era você.

Você, com seus solos de guitarra e seu cabelo comprido; cantarolando Beatles num bar copo sujo, dormindo até tarde, desafiando as madrugadas, com todas aquelas garotas ao seu redor: escrevendo bilhetes,rindo de suas piadas. Eu deveria saber onde estava pondo os pés. Você me enxergou quando ninguém sequer me via. Eu,a garota estranha da blusa de poá,acostumada a estar sozinha, fui embriagada pelo perfume da tua companhia.

Você me deu um mundo, histórias, sorrisos, uma parte de mim que eu não conhecia. Eu te entreguei meu jovem e sonhador coração. Mas você se cansou rápido, porque o amor nunca foi seu forte. E você fechou a porta e levou todos os meus segredos. Nem consigo contar quantas vezes me culpei pelo meu engano,mas droga, eu era só uma garota. Uma garota que nunca tinha se apaixonado. Você sabia disso e usou a seu favor.

Mais do que um coração partido, você deixou em mim incertezas. Dores que me impediram de tentar de novo, de acreditar de novo. Hoje,do alto dos anos que se foram, cumpro a promessa de nunca fazer a alguém, o que você fez a mim. Se o amor é um mar,com você eu me afoguei. E apesar de ter aprendido a nadar, nunca mais tive coragem de mergulhar. Para você eu fui mais um número, mais algumas canções que você cantou. Em noites escuras demais, eu gosto de ficar sozinha e pensar: quem você está iludindo agora,menino?

Não me importa mais. Tudo o que foi dito, feito e prometido entre nós, foi levado pelo implacável e impressionante poder do tempo. Virou poesia, aprendizado, lembrança. Parou de doer, finalmente. As feridas se fecharam, e só ficaram as marcas, felizmente. Elas me lembram que o amor é mar. Dependendo da força da maré e da sua coragem, ou vão te acolher,ou te afogar. O segredo é molhar os pés, sentir a intensidade das ondas, pra então poder mergulhar. E ainda bem, que hoje eu sei.

you tear into pieces my heart, before you leave with no repentance…
Like what you read? Give Alyne Soares a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.