A Propriedade Intelectual está destruindo o progresso da humanidade

Se tem algo que está atrapalhando de formas incalculáveis o progresso da humanidade, é a noção de propriedade intelectual. Digo, a noção de que você, ao escrever, compor ou “criar” algo, teve totalmente, e em todas as instâncias, o crédito pelo produto final.

Mas por quê? Bem, se formos analisar a história da humanidade, veremos que criadores de todos os cantos do mundo não tiveram as ideias que tiveram sozinhos, do nada, de dentro pra fora. Toda criação humana consiste em referenciais, em pontos de partida dos quais partimos antes de “inventarmos” algo, sendo essa invenção nada menos do que uma combinação e transformação de elementos já existentes.

Toda criação, portanto, é um encaixe de ideias já criadas anteriormente (que são também mais encaixes de outras ideias).

Seria justo, então, privar por anos a fio com o argumento de Copyright (propriedade intelectual) a inventividade de alguém tão somente por questões financeiras? Digo, o argumento falho de que a “criação” de alguém é totalmente original deve suprimir o acesso da humanidade para tomar tal “criação” como uma referência para algo novo?

Na biologia, nossos genes se multiplicam e se replicam, e sofrem alterações próprias que fizeram com que sejamos, biologicamente, tudo aquilo o que somos hoje: diversos. Essa é, penso eu, a principal característica da Evolução.

Por que, então, na cultura, que também tem uma característica idêntica chamada de “Evolução Social”, para a qual podemos usar o termo “meme” de Richard Dawikins (não os memes bestas de internet, procure no google para saber mais), devemos renegar essa realidade, a realidade de que funcionamos todos conforme um organismo vivo, que se auto-replica, se repete, se multiplica e combina características anteriores?

Por que devemos censurar novos avanços tão somente por que alguém assinou num papel que tem a patente para uma ideia, sendo que tal ideia ocorreu de outras ideias já anteriormente concebidas?

O mal da patente é sério, e está atrasando todos nós. Tudo isso resumido num viés cognitivo: aversão à perda. Quando copiamos dos outros, tá tudo bem, é prum bem maior. Mas quando somos copiados, MEU DEUS, o nosso mundo chega sangrar.

Somos uns imaturos brincando de civilização.