Dilma e Bolsonaro: dois casos de culto à personalidade

Se comparo Dilma a Bolsonaro, não quero dizer que eles sejam equivalentes. Longe disso. São histórias totalmente distintas que sequer merecem ser postas numa mesma página.

A questão é entender o que está associado a ambas as personalidades. E o que percebo é um certo culto por parte das pessoas a essas personagens políticas.

Claro que dificilmente alguém, para defender seu político, se apoiará tão somente em seu carisma ou no fato de ele ser “modinha”.

Do lado dos “bolsominions” (defensores que idolatram Bolsonaro) há razões bem discutidas e que a eles faz todo sentido, como por exemplo redução da maioridade penal, prisão com trabalho forçado e, claro, porte de armas, pautas defendidas pelo suposto “mito” (“bolsomito‬”, como convencionaram chamar).

Bolsonaro é visto como herói, um “Messias” — como o seu próprio nome denuncia — que pode “salvar” a nação. Um pensamento tosco, dicotômico e simplista, que acredita na existência de heróis e vilões, e não vê meios-termos.

Dilma, por sua vez, é vista como “fofa” (‪‎“Dilmãe”‬), “forte” e “sobrevivente”, dada sua história de vida — embora isso não anule a total falta de governabilidade dela. Na condição de mulher, tem toda a esquerda feminista ao seu lado, com muitas vezes zero autocrítica por parte de quem a defende (pensamentos sexistas de que basta ser mulher para ter razão só são convenientes, aliás, quando se é “de esquerda” [ou Ana Mélia agora, só por ser mulher, teria algum apoio dessa galera?]).

Além disso, é vista também como representante da esquerda, mesmo embora não tenha mexido um dedo pelas pautas da esquerda, mesmo embora seja um “monstro da Belo Monte” e mesmo embora seja a presidente que mais privatizou na história deste país (sem contar os inúmeros outros problemas associados a ela, que tornam qualquer esquerda que a defenda totalmente hipócrita [o caso da reforma agrária é um exemplo maior]).

Cabe uma análise para ver até onde as comparações são possíveis. O fato é que, de um lado ou de outro, há um culto burro à personalidade, e cultos à personalidade são típicos de religiões.

Aliás, quando vamos finalmente separar religião de Estado, hein?