Hipócritas são os outros

Hipócritas são os outros. Aqueles que tanto dizem e pouco fazem, que tanto querem e pouco buscam, que tanto desejam e tanto esperam.

Hipócritas não somos nós, pois temos o dedo abençoado e com ele apontamos para a incoerência alheia, essa que é, sabemos (pois sempre sabemos), o mal humano encarnado em ações travestidas de bondade e abnegações.

Hipócritas são aqueles que dizem o que querem dizer, e dizem com tanta ênfase que não sobra energias para pôr seu ideário em prática. Hipócritas são tão rasos quanto um palavrório vazio contra a hipocrisia.

E não, não se engane: hipocrisia não é apenas um discurso, é também uma ação. O hipócrita é aquele age, mas age de tal forma, que, crente de si mesmo, declara guerra à hipocrisia. Declara ter razão apenas a sua razão, e rotula como pura emoção o achismo alheio, que diz ser incoerente e irracional por não concordar com seu ponto de vista — mesmo embora sua perspectiva seja totalmente subjetiva.

Hipócrita é aquele que busca saber o significado de hipocrisia nos dicionários, no único intuito de usar o termo como um rótulo àqueles que pretende acusar e desqualificar, e não para reavaliar e mensurar seus conceitos e atitudes frente ao mundo.

O hipócrita está mais preocupado em dizer como fazer do que fazer, de fato. O hipócrita quer que você acorde para a realidade como tem que ser (em sua visão), e buscar por sua concretização. Ele prega moral e diz coisas genéricas sobre como tudo deve ser, e é tão hipócrita que dedica parágrafos a criticar a hipocrisia no mundo.

Hipócritas sempre serão os outros. Quanto a nós? Não se preocupe, somos juízes da moral. Apenas faça o que dizemos, não o que fazemos.

Alysson Augusto