Karl Marx: ele ainda pode te surpreender
Pedro Vieweger
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Pedro, gostei do texto. Claramente tu defendeu a necessidade de ler Marx para que se possa fazer uma crítica ao mesmo, e entendo isso. Mas não entendo em que isso refuta a crítica, ou em que isso necessariamente torna a crítica equivocada.

O Marx ideólogo, ao meu ver, é um porre, que baseia todas as suas aspirações em valores mas se esquece completamente que o ser humano se move também por incentivos — fator humano destroçado em qualquer regime socialista já existente. Mas o Marx cientista também tem pontos frágeis, pontos principais em sua obra, como a mais-valia e a teoria do valor-trabalho — e sim, pode-se dizer que a teoria do valor marginal refutou ambas, tornando as bases econômicas de Marx frágeis o suficiente para serem afastadas dos dias de hoje (tu enquanto cara da economia, creio, sabe disso).

De toda forma a dica ainda é uma boa: leiam Marx, o ideólogo e o cientista. Mas leiam também Smith, seu antecessor que sabia que não se faz economia sem incentivos (que estava errado sobre o valor-trabalho assim como Marx). Leiam também, e especialmente, os “neoliberais” (termo criado da mesma forma que “capitalismo” foi cunhado, se é que me entendem), como Friedman, Hayek e Rothbard, com a mesma perspectiva proposta no texto: evitando preconceitos. Afinal, de nada adianta vender ideias velhas sem refletir sobre as novas.

Contexto histórico é importante, certo? É por isso que hoje podemos falar em tipos de capitalismo, como o de bem-estar social, o de livre mercado e o de compadrio, e mesmo o “selvagem”, que era especialmente objeto de crítica de Marx, e por isso mesmo se faz necessário não pegar tudo que tenha rótulo de capitalista e se basear no Marx cientista para dizer que, portanto, o Marx ideólogo está certo sobre o rótulo (sendo que o próprio cientista tem problemas basilares).