Por que parei de escrever sobre “amorzinho” na internet

Um dos motivos pelos quais me vi desinteressado em escrever sobre sentimentos, lá nas minhas páginas Alysson Augusto e Tempo de Amor — AZ, é o notável fato de que esse mundo de “escritores de amorzinho na internet” é, em muitos sentidos, repudiável.

É realmente muito difícil descobrir alguém que escreva nesse nicho sem, sobretudo, exaltar sua imagem. É um culto e louvação ao ego sem precedentes, de tal forma que, na maioria das vezes, a capacidade de exercer um pensamento complexo e “fora da caixa” é soterrada pela constante pressão em manter as aparências, tendo que escrever mais e mais semanalmente, a fim de alimentar o público que você têm cultivado.

Essa pressão torna o conteúdo simplista, de fácil digestão e, muitas vezes, avesso á crítica. Nesse hábito os escritores mantêm personalidades arrogantes, pois é muito mais fácil adaptar suas próprias crenças a acreditar que está sempre fazendo um ótimo trabalho do que estar aberto ao fato de que você, ao fim das contas, pode sim ser um merda, que usa de inúmeros clichês e um falatório vazio para se crer especial (com o elogio dos outros, menos críticos ainda, sobre o que você faz, é claro).

Está claro que não apenas selfies servem para massagear o ego. A escrita também. Não à toa há uma carga de aparência quanto a algo que deveria, a princípio, ter tão somente seu conteúdo louvado.

O escritor “mais bonito” tem vantagem em relação ao menos bonito, ainda mais numa era de redes sociais, em que buscamos nos outros a personificação do melhor que gostaríamos de ter em nós mesmos.

E quando você tem que manter as aparências acima de tudo, seu trabalho naturalmente perde a qualidade — você está mais focado não no conteúdo de sua criação, mas em seu resultado e no que você ganhará com isso.

O amor à escrita não é critério para ser escritor. Às vezes, basta o amor a si mesmo. Amor excessivo e narcísico a si mesmo.