Se quiser conversar comigo, defina seus termos

Acredito fortemente que a maioria das discussões que pautamos são mais oportunidades para nos sentirmos inteligentes do que necessárias de fato.

Afinal, muitas vezes confundimos pontos de vista diferentes com compreensões distintas sobre termos iguais. Não pensamos radicalmente diferente uns dos outros — nós compreendemos as palavras de maneiras diversificadas. Por exemplo, o termo “socialista” pode ser entendido como “ditador comunista” por alguém, mas como “social democrata” por outra pessoa (tomemos o caso de Bernie Sanders nos EUA). Da mesma forma, outros termos podem ter variações de significado porque as pessoas os entendem de formas distintas.

Defendo o sensato pedido de Voltaire: “Se quiser conversar comigo, defina seus termos.” Afinal, quando acertamos, numa conversa, o que entendemos sobre cada coisa sobre a qual falamos, estaremos nos poupando de muitos mal-entendidos e, de quebra, fazendo de nossos debates conversas necessárias e produtivas. Não estaremos, portanto, andando em círculos, discutindo em busca de defender nossas razões por conta de pequenos desentendimentos que possam causar grandes e negativas repercussões.

A verdade é que conseguimos nos entender e conseguimos avançar quando definimos nossas percepções sobre os mais variados temas. Mas na linguagem nos perdemos, pois ainda não adquirimos certa maturidade diplomática para o exercício da paciência em debates, paciência que nos daria a virtude de sabermos nos explicar uns aos outros.